Ataques a mesquitas deixam pelo menos 49 mortos na Nova Zelândia


Pelo menos 49 pessoas foram mortas e mais de 20 ficaram feridas em tiroteios realizados nesta sexta-feira 15-03-2019 em duas mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia.

A primeira-ministra do país, Jacinda Ardem, classificou os ataques como atos terroristas.

E o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, descreveu um suposto atirador, que tem nacionalidade australiana, como um "terrorista violento de extrema direita".

Quatro pessoas - sendo três homens e uma mulher - foram detidas pela polícia neozelandesa. Por enquanto, uma delas, de quase 30 anos, foi acusada de homicídio.


De acordo com o jornal Herald, de Christchurch, o suspeito australiano teria escrito um manifesto dizendo que estava pronto para realizar o ataque. No texto, ele se declarava como anti-imigrante e adepto da ideologia de extrema direita.

Um dos atiradores fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais, com uma câmera acoplada à cabeça, em que aparece disparando indiscriminadamente contra fiéis no interior de uma das mesquitas.

Circulam nas redes sociais e Youtube vídeos atribuídos ao atirador, mas ainda não temos informações mais completas a respeito da veracidade desses vídeos.

O Facebook anunciou que removeu as cenas postadas em sua plataforma e também do Instagram - foram apagadas ainda manifestações de apoio aos ataques que tinham sido publicadas.

A polícia fez um apelo para as pessoas que tiveram acesso a não compartilharem as cenas "extremamente perturbadoras".

O que sabemos até agora?

Os ataques teriam começado às 13h30 (hora local) desta sexta-feira. Segundo a polícia, "múltiplas fatalidades" foram registradas em dois locais.


A sequência de eventos ainda não está clara - a maior parte do que se sabe até agora vem de relatos de testemunhas para a imprensa local.

Também não está claro quantos atiradores participaram do atentado.

A primeira notícia de ataque veio da mesquita Al Noor, localizada no centro de Christchurch, em frente ao Parque Hagley. Testemunhas contaram que precisaram correr para se salvar e viram pessoas sangrando no chão do lado de fora do prédio.


Uma segunda mesquita no subúrbio de Linwood também foi evacuada. Mas, por enquanto, há poucos detalhes sobre o que teria acontecido lá.

A polícia desativou ainda "uma série de (dispositivos explosivos) presos a veículos", segundo informou o comissário de polícia, Mike Bush.


Um sobrevivente que não quis ser identificado disse à TV New Zealand que estava na mesquita Al Noor quando viu um homem ser atingido no peito. O atirador teria atacado o salão de orações dos homens primeiro, e se dirigido para o das mulheres na sequência.

"Tudo o que eu fiz foi basicamente esperar e rezar. Deus, por favor, acabe com a munição dele", contou a testemunha.

Um palestino que também pediu para não ser identificado disse à agência de notícias AFP que ouviu barulho de tiros e viu um homem ser baleado na cabeça.

"Eu ouvi três tiros rápidos, depois de cerca de 10 segundos começou de novo - devia ser uma arma automática, ninguém conseguiria puxar um gatilho tão rápido", disse ele.

"As pessoas começaram então a correr. Algumas ficaram cobertas de sangue."

A polícia segue em alerta.

"A polícia está respondendo com toda a sua capacidade para administrar a situação, mas o risco continua extremamente alto. A polícia recomenda que os moradores de Christchurch permaneçam fora das ruas e dentro de suas casas até novo aviso", diz o comissário de polícia, Mike Bush.
Equipe de críquete escapa de ataque

A equipe de críquete de Bangladesh parece ter escapado por pouco do tiroteio. Um repórter que acompanhava a equipe, que jogaria contra a Nova Zelândia no sábado, tuitou que o time "escapou de uma mesquita perto do Parque Hagley, onde havia atiradores em ação".

O jogador Tamim Iqbal tuitou que "toda a equipe foi salva dos atiradores".

O porta-voz do Conselho de Críquete de Bangladesh, Jalal Yunus, afirmou que a maior parte da equipe foi à mesquita de ônibus e estava prestes a entrar quando aconteceu o incidente.

"Eles estão seguros. Mas estão mentalmente chocados. Pedimos à equipe que fique confinada no hotel", disse ele à agência de notícias AFP.

Suspeitos pelo ataque

O principal suspeito pelos ataques - o autraliano Brenton Tarrant - compareceu neste sábado a um tribunal, onde foi acusado de homicídio. Novas denúncias devem ser apresentadas contra ele.

Tarrant ficou em silêncio durante a audiência. Ele estava algemado e vestia roupas brancas de prisioneiro. Uma nova audiência está marcada para 5 de abril.


Antes do atentado, contas nas redes sociais no nome de Brenton Tarrant foram usadas para postar um texto longo e racista no qual o autor citava as mesquitas que seriam depois atacadas.

O texto era intitulado A Grande Substituição, uma expressão cunhada na França e que se tornou um mote entre extremistas anti-imigração na Europa. O suspeito diz que começou a planejar o ataque após visitar a Europa em 2017 e ficar alarmado com a situação no continente.

Ele enviou o texto a 70 pessoas dez minutos antes do ataque, segundo o jornal New Zealand Herald.

Outros dois suspeitos estão detidos. As vítimas do ataque ainda estão sendo identificadas.

A primeira a ter o nome revelado foi um homem de 71 anos, Daoud Nabi, nascido no Afeganistão e que vivia na Nova Zelândia desde os anos 1980.

Acredita-se que ele tenha se atirado na frente de outros fiéis para protegê-los no momento do ataque.

Outras vítimas citadas por parentes e amigos foram:
  • Sayyad Milne, menino de 14 anos que queria ser jogador de futebol
  • Khaled Mustafa, um refugiado da guerra na Síria
  • Hosne Ara, 42, morta enquanto procurava o marido que usa uma cadeira de rodas (ele sobreviveu)

Ao todo 48 pessoas se feriram no ataque, das quais 11 estão em condição crítica.

Muçulmanos são 1,1% dos 4,25 milhões de moradores da Nova Zelândia, segundo o último censo. O número de muçulmanos no país cresceu vertiginosamente a partir dos anos 1990 com a recepção de refugiados de vários países afetados por guerras.

Considerações finais

Esta semana vivemos mais uma semana de terror. No dia dia 13-03 tivemos o terrível ataque a escola em Suzano - SP, o que me levou a publicar uma matéria feita pela BBC que falava de uma pesquisa que expões como a publicidade exagerada pode servir de motivação para os autores desse tipo de massacre (clique AQUI para saber mais). Essa ideia parece bem clara no caso do massacre da Nova Zelândia, afinal de contas um atirador realizou um live mostrando em tempo real as suas ações.

Fonte: BBC

Quando amanhecer, você já será um de nós...

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