Pesquisadores revelam as primeiras informações sobre o sarcófago “amaldiçoado” aberto no Egito Pular para o conteúdo principal

Pesquisadores revelam as primeiras informações sobre o sarcófago “amaldiçoado” aberto no Egito


Arqueólogos egípcios ousaram, no mês passado, abrir um estranho sarcófago de granito, encontrando nele três esqueletos em um líquido marrom avermelhado desagradável. Os cientistas agora completaram a análise preliminar do conteúdo do túmulo, oferecendo novas informações sobre os ocupantes da tumba de dois mil anos de idade.

O sarcófago de granito foi descoberto no distrito Sidi Gaber, de Alexandria, no Egito, em 1º de julho, e foi aberto 16 dias depois, apesar de avisos de uma possível maldição. Nos dias que sucederam a descoberta, muitos sites de notícias e blogs noticiaram informações a respeito de pessoas se manifestando internet afora alertando para uma possível maldição. Claro que muitos desses comentários e manifestações foram feitos com tom de brincadeira, como mostra a matéria do site Express UK., porém muitas pessoas levaram a história da maldição a sério.


Como o túmulo datava do século 3 a.C., os arqueólogos egípcios acharam que ele poderia conter o corpo de Alexandre, o Grande. Infelizmente, não. Em vez disso, o sarcófago continha uma mistura de esqueletos, vários painéis de ouro e uma surpreendente quantidade de água de esgoto, que tinha entrado no túmulo por meio de uma rachadura.


Depois de limpar os restos e cuidadosamente documentar os ossos, uma equipe de pesquisadores do Departamento Central de Antiguidades do Baixo Egito completou sua análise preliminar dos conteúdos do túmulo. Mostafa Waziry, chefe do Ministério de Antiguidades do Egito, anunciou alguns dos detalhes no início desta semana, dizendo que o sarcófago continha uma mulher e dois homens, junto com três painéis de ouro trazendo inscrições misteriosas.

Em entrevista ao Ahram Online, Nadia Kheider, chefe do Departamento Central de Antiguidades do Baixo Egito, disse que a mulher tinha entre 20 e 25 anos de idade quando morreu e que ela tinha um pequeno buraco, de cerca de 17 milímetros de largura, na parte de trás de seu crânio. Quando os arqueólogos examinaram o crânio pela primeira vez, eles imaginaram que a lesão havia sido causada por um objeto afiado como uma flecha, mas a mulher viveu por muito tempo com essa cavidade, sugerindo que ela foi resultado de uma forma antiga de cirurgia cerebral conhecida como trepanação. Será necessário mais trabalho para avaliar sua verdadeira natureza, mas, se for verdade, isso representaria um exemplo raro dessa cirurgia no Egito antigo.

Quanto aos dois homens, um deles morreu quando tinha entre 20 e 25 anos de idade, e o outro, aos 40 e poucos anos. Nenhuma causa de morte pôde ser determinada em nenhum dos cadaveres.


Waziry disse ao Ahram Online que nenhum dos três esqueletos pertencia a uma família real romana ou ptolomaica. Nenhuma inscrição ou cartela foi encontrada no sarcófago, e ele também não continha quaisquer máscaras metálicas prateadas ou douradas, pequenas estátuas, amuletos ou outros itens normalmente associados a enterros da realeza deste período. O caixão e seu conteúdo ainda precisam ser datados, mas é provável que eles remontem ao início do período ptolomaico, que começou em 323 a.C., depois da morte de Alexandre, o Grande, de acordo com os pesquisadores. Seu melhor palpite por ora é de que o caixão data de 304 a.C. a 30 a.C e que os indivíduos não foram colocados no caixão ao mesmo tempo.

Quanto à estranha cor avermelhada do líquido no sarcófago, os pesquisadores dizem que ela foi causada pela mistura da água de esgoto com os invólucros dos esqueletos. Eles planejam conduzir agora uma análise química das águas residuais para determinar seus componentes, como apontado pelo Ahram Online.


Agora, os três esqueletos serão levados ao Museu Nacional de Alexandria para mais estudos e para a datação. Os ossos serão sujeitados a exames de DNA, que poderiam gerar informações genéticas importantes sobre os indivíduos e até possíveis parentescos familiares. Quanto ao sarcófago de granito, o Ahram Online noticia que ele será restaurado e levado ao museu.

Por fim, estranheza à parte, a descoberta da água marrom avermelhado dentro do sarcófago levou a um pedido esquisito; uma petição irônica internacional, com milhares de assinaturas, exigindo que o governo egípcio deixe as pessoas beberem o líquido. É, provavelmente não seja uma boa ideia, considerando que a água veio de uma trincheira de esgoto próxima.

Fonte: Gizmodo

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