A origem da mumificação no Egito vem de muito antes da Era dos Faraós Pular para o conteúdo principal

A origem da mumificação no Egito vem de muito antes da Era dos Faraós


As primeiras múmias geralmente são associadas com o Velho Reino do Antigo Egito, mas como uma investigação intensiva de múmias de 5.600 anos de idade confirma, os métodos utilizados para essa prática funeral icônica vêm de muito antes da era dos faraós.

Pensava-se que a prática de mumificação e as técnicas usadas para embalsamar (como o uso de resinas) tinham se originado no Velho Reino do Antigo Egito (também conhecido como “Era das Pirâmides”), em torno de 2500 a.C. Mas essa interpretação foi desafiada por uma análise de 2014 de tecidos funerários encontrados na região sul do Egito, em Mostagedda, que empurrou a origem da mumificação egípcia 1.500 anos para trás.

A nova pesquisa, publicada nesta semana no periódico Journal of Archaeological Science pelo mesmo grupo de cientistas, amplia o nosso conhecimento sobre como e quando a prática de mumificação foi desenvolvida no Egito Antigo, incluindo os agentes utilizados no processo de embalsamamento. O novo estudo confirma a data de origem proposta no trabalho anterior, mas ao contrário da análise de 2014 dos tecidos funerários, essa última pesquisa foi conduzida na própria múmia. E isso nem é o mais significativo.

“Embora a múmia não seja a primeira evidência a revelar os agentes formativos do embalsamento que datam de cerca de 4300 a.C., é o primeiro objeto intacto que revela uma parte vital do processo icônico que depois se tornaria a mumificação faraônica egípcia”, disse Stephen Buckley, arqueólogo da Universidade de York e co-autor do novo estudo, ao Gizmodo.


A múmia em questão é conhecida como Múmia S. 293 (RCGE 16550), e tem sido estudada por cientistas há mais de um século. Ela esteve exposta do Museu Egípcio em Turim desde 1901. A múmia é única por nunca ter sido exposta a tratamentos de conservação; sua condição imaculada faz dela um objeto ideal para análise científica.

Anteriormente, cientistas assumiram incorretamente que a Múmia S. 293 tinha sido mumificada naturalmente pelas condições quentes e secas do deserto, um processo conhecido como dessecação. A nova pesquisa mostra que esse não é o caso – a múmia foi produzida por embalsamadores que empregaram uma mistura de óleo de plantas, resina de coníferas aquecida, um extrato de planta aromática e uma goma/açúcar de plantas. Juntos, esses ingredientes tinham propriedades antibacterianas muito potentes.


“Pela primeira vez identificamos o que pode ser descrito como uma ‘receita de embalsamento’ egípcia – basicamente a mesma receita antibacteriana que se tornaria parte vital da mumificação durante o período faraônico perto de 3100 a.C.”, disse Buckley.

Utilizando microscópios, os pesquisadores examinaram os tecidos ao redor da múmia, enquanto uma análise química foi realizada para identificar os ingredientes da receita de embalsamento. Uma análise genética foi feita para identificar tanto o DNA humano quanto o não-humano (como material vegetal) associados à múmia. Nenhum DNA humano foi extraído do espécime, provavelmente resultado da exposição excessiva no museu.

O método de datação por radiocarbono definiu a origem da múmia entre os anos 3650 e 3380 a.C. Utilizando outra evidência, como as mudanças conhecidas da tecnologia têxtil egípcia, os autores estreitaram a data para algo entre 3650 a 3500 a.C. Uma análise do desgaste dentário sugere que a múmia tinha entre 20 a 30 anos de idade quando morreu.

A receita de embalsamento foi surpreendentemente similar a uma utilizada 2500 anos depois, quando a mumificação egípcia atingiu o seu pico cultural. Essa similaridade aponta para uma visão compartilhada da morte e de vida após a morte cerca de 500 anos antes de o Egito se tornar a primeira nação-estado do mundo, disse Buckley.

De fato, essa técnica de mumificação data do estágio de Naqada da pré-história egípcia, que aconteceu substancialmente antes do Período Faraônico. Mas as análises também revelaram o uso de uma resina de coníferas antibacteriana que não é nativa do Egito. Esse composto deve ter sido importado, provavelmente do Oriente Próximo, onde atualmente está Israel e a Palestina.

“Isso é importante para o nosso entendimento da extensão do comércio antigo nesse período – sabíamos que existia comércio entre o Egito e o Oriente Próximo, mas a negociação de resinas de vegetais entre o Oriente Próximo e o sul do Egito é uma adição bem útil ao que sabíamos”, disse Buckley ao Gizmodo. “E sendo notavelmente semelhante aos enterros pré-históricos que datam de 4300 a.C. a 3100 a.C. em Mostagedda, se torna uma primeira indicação de que a receita de embalsamamento estava sendo utilizada em uma área geográfica mais ampla numa época em que o conceito de identidade pan-egípcia supostamente ainda estava em desenvolvimento“.

Múmias como essa são extremamente raras. Essa pesquisa nos dá uma visão importante das tecnologia empregadas pelos egípcios antigos, e da influência marcante da cultura do Egípcio pré-dinástico nos períodos subsequentes. Como mostra esse estudo, até a história antiga tem sua história antiga.

Fonte: Gizmodo

Quando amanhecer, você já será um de nós...


CONFIRA OUTRAS POSTAGENS DO BLOG NOITE SINISTRA



Comentários

Siga-nos no Facebook

Postagens Recomendadas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais acessadas no último mês

Links da Deep Web 2018

Saudações amigos e amigas. Hoje eu volto a publicar no blog Noite Sinistra uma matéria com links da deep web e prints da deep web.
Os links apresentados na matéria abaixo foram coletados entre janeiro e fevereiro de 2018, estando todos eles ativos nesse período, mas nada pode garantir que os mesmos estarão ativos até o final do ano, afinal de contas muitos sites na deep web mudam constantemente seus endereços afim de se manterem o mais seletivos quanto aos usuários que frequentam o espaço.

Exorcismo e orações em Latim

Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à ação dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo. A cultura ocidental recebeu essas idéias através da Bíblia e do cristianismo primitivo.

Luka Rocco Magnotta: 1 Lunatic 1 Ice Pick

Luka Rocco Magnotta (nascido Eric Clinton Kirk Newman; 24 de julho, 1982) é um ator pornográfico e modelo acusado de matar e desmembrar Lin Jun, um estudante chinês, e mandar vários de seus pedaços por correio para escritórios de partidos políticos canadenses e para escolas elementares de outra província.
Após o vídeo mostrando o assassinato ser publicado, primeiramente, em Fóruns da Deep Web (o vídeo ficou conhecido como "1 Lunatic 1 Ice Pick"), porém hoje em dia o vídeo já pode ser facilmente encontrado em sites especializados em terror Gore, Magnotta fugiu do país, tornando-se motivo para uma “Nota Vermelha da Interpol”, e assim iniciando uma verdadeira caçada internacional. Ele foi preso em 4 de Junho de 2012 em uma Lan House em Berlin, enquanto lia notícias a respeito de si mesmo.

Cinco mulheres que afirmam ter dado a luz ao filho do Diabo

Saudações amigos e amigas. Hoje decidi compartilhar com vocês uma bizarra lista, na qual conheceremos a história de 5 mulheres que afirmam ter dado a luz ao filho do demônio. Convido a todos a conhecerem esses estranhos relatos.

A origem da Deep Web

O termo Deep Web passou a ser usado entre os anos de 2001 e 2002, e hoje em dia é sinônimo de crimes cibernéticos e da obscuridade humana. Embora ainda não fosse denominada da forma que é hoje, a deep web já está ativa desde a década de 70. Convido todos a conhecer um pouco mais sobre esse assunto na matéria abaixo.