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Pão de Açúcar: A prisão do Diabo


Um dos pontos mais famosos e exuberantes do Rio de Janeiro é o Pão de Açúcar. Pouca gente sabe, mas a famosa formação rochosa é também muito ligada a lendas e mitos. Na postagem a seguir convido os amigos e amigas a conhecerem um dessas lendas, que afirma que o local foi palco de uma grande batalha entre o bem e o mal. 

Com a sua forma cônica e mais de 500 metros de altura o Pão de Açúcar é o morro mais elevado de todos que o rodeiam. Ao seu lado, o Morro da Urca e à esquerda o istmo Cara de Cão, onde em 1565 Estácio de Sá fundou a cidade consagrando-a a S. Sebastião em 20 de Janeiro.

As origens do nome

Há várias versões sobre a origem do nome Pão de Açúcar, a mais corrente aquela que indica os portugueses como responsáveis pelo topônimo: durante o apogeu do cultivo de cana-de-açúcar no Brasil (séculos XVI e XVII), após a cana ser espremida e o caldo fervido e apurado, os blocos de açúcar eram colocados numa forma de barro cônica (para transportá-los para Portugal) denominada pão de açúcar, pelo que a semelhança do penhasco carioca com aquela forma de barro teria originado o nome.

Este monumento esculpido pelos elementos da Natureza tem as suas histórias lendárias que são o deleite dos apaixonados amadores pelas coisas fantásticas e misteriosas. Há quem veja no morro os contornos de uma esfinge tebana que ao entardecer e com um pouco de esforço e imaginação sugere a silhueta de um ancião que muitos chamam “Guardião da Pedra”. Era tamanha a popularidade dessa narrativa que no século XIX os religiosos capuchinhos e jesuítas tentaram cristianizá-la: fizeram correr a versão lendária de que essa figura seria S. Pedro abraçando o penhasco do Pão de Açúcar, que representaria a Igreja, e apontaram acima da sua cabeça uma mitra episcopal confirmando assim que seria mesmo S. Pedro, o primeiro dos bispos de Roma.

Local onde o Diabo foi aprisionado

Uma lenda que remonta ao pressuposto “Brasil Fenício” onde nesta mesma baía, segundo a história mítica, as forças do mal travaram batalha com as forças do bem que as venceram, não sem antes os dois filhos gémeos do rei Baal-Zir, de Tiro, terem morrido afogados vítimas de tempestade terrível desencadeada pelo Diabo em pessoa. As crônicas árabes dizem que o poderoso sacerdote do rei fenício que o acompanhou no desterro, ou seja, Baal-Zin, “o deus do Fogo ou da Luz”, derrotou os poderes demoníacos e prendeu o demônio Pauá Açu (“grande cabeça de macaco”, no sentido de fera ou ser de enorme ferocidade) no interior deste maciço rochoso que desde então passou a chamar-se Mano Satanas, “Mão de Satanás”, como é designado na cartografia árabe e na cristã inspirada naquela, adiantando que o Diabo encarcerado nesse rochedo tinha o costume de enganar os marinheiros e fazer soçobrar os navios à entrada da baía de Guanabara. Lenda? Talvez, mas sendo facto provado terem sido descobertas na base deste rochedo umas inscrições fenícias traduzidas por Ladislau de Souza Melo e Neto (1838-1894), diretor geral do Museu Nacional do Rio de Janeiro (1875-1893), membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e catedrático em Ciência Naturais: “Somos filhos da terra de Canaã. Sobre nós pesa a desventura e a maldição. Em vão invocamos os nossos deuses; eles nos abandonaram e assim morremos desesperados. Hoje é o décimo aniversário do infausto dia em que chegamos a estas margens. O calor é atroz, a água é podre, o ar cheio de insectos repugnantes. Os nossos corpos estão cobertos de chagas. Ó deuses, ajudai-nos! Tiro, Sidon e Baal”.

Realmente o Pão de Açúcar contém uma enorme caverna na sua base, uma falha na rocha granítica criada há mais de um bilhão de anos no costão virado para o alto-mar, fora da barra, precisamente no ângulo menos visível e acessível do penedo. No início da década de 30 do século XX foi viver nela um ermitão português chamado Eduardo de Almeida, que vivia do que pescava e caçava, ignorando completamente as pessoas e a cidade. Nos anos 60, aceitou repartir a ampla caverna com um casal – Francisco de Brito e Isídia Maria da Conceição – que plantava banana e mamão na encosta do Morro da Urca, para vendê-los aos banhistas na Praia Vermelha. Em 1968 foram todos despejados pelos militares da Fortaleza de S. João, e desde então é proibido o acesso ao local. O eremita Eduardo tinha 58 anos.

Em traços gerais, aqui fica a história insólita do penedo Pão de Açúcar que até hoje aguça a imaginação colectiva indiscriminando a verdade da fantasia mas maravilhando mais ainda a História não-contada da “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro.


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