Maldição dos Kennedy Pular para o conteúdo principal

Maldição dos Kennedy


De 1944 a 2012, a família do ex-presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy, assassinado durante um desfile presidencial, enfrentou tantas tragédias que acabaram gerando uma crença popular, apoiada pela mídia sensacionalista, que afirma que uma maldição foi jogada sobre esse que é um dos maiores, senão o maior, clã da política estadunidense. As teorias que falam de maldição enaltecem o caráter trágico das mortes que envolvem a família, especialmente os membros com alguma relação ou correlação com a política.

O mais recente exemplo foi o suicídio, em maio de 2012, de uma nora de Robert “Bobby” Kennedy. A morte de Mary Richardson Kennedy, a segunda esposa de Bobby Junior, foi noticiada pelo jornal britânico The Independent como “A maldição dos Kennedy volta a atacar”.

O início da "Maldição"

A sucessão de eventos trágicos na família Kennedy tem como eixo central o assassinato do ex-presidente, em 1963, mas começa antes, em 1944. Em agosto do referido ano, o irmão mais velho de JFK, Joseph Kennedy Jr., morreu com a explosão de sua aeronave durante a Segunda Guerra Mundial.

Joseph Kennedy Jr.
Quatro anos depois, Kathleen Kennedy Cavendish, irmã de JFK, morreu em um acidente de avião.

Kathleen Kennedy Cavendish
Em 22 de novembro de 1963 ocorre o assassinato do membro mais famoso da família Kennedy, John Fitzgerald Kennedy, assassinado durante um desfile presidencial por Lee Harvey Oswald.

O Presidente Kennedy e sua esposa, Jacqueline, e o governador do Texas, John Connally, na limusine presidencial, minutos antes do assassinato.

Outro irmão, o já mencionado Bobby, foi assassinado a tiros em 1968, quando começava uma promissora campanha para se tornar presidente. Ele tinha acabado de ganhar as eleições presidenciais primárias da Califórnia e estava a sair do salão de baile do Hotel Ambassador, em Los Angeles onde comemorava os resultados das eleições citadas acima, quando Sirhan Sirhan, um cristão palestiniano o atingiu com dois disparos na cabeça. O assassino afirmou que abriu fogo e matou-o por causa do seu apoio a Israel. Bobby havia tido grande destaque na época em que JFK estava na Casa Branca, por ter contornado com maestria a crise dos Mísseis Cubanos, período considerado mais crítico da guerra fria.

Impressionante a semelhança de Robert com John
Bobby Kennedy após ter sido baleado
Em 1984, David Anthony Kennedy, filho de Bobby que havia testemunhado o assassinato do pai, morreu de overdose de cocaína e outras drogas.

David Anthony Kennedy
Michael Kennedy, outro filho de Bobby, morreu em um acidente de esqui, em 1997.

Michael Kennedy
Dois anos depois, em julho, a família mais uma vez sofre um duro golpe com a morte do filho de JFK, John F. Kennedy Jr., carinhosamente chamado de John John; da mulher, Carolyn Bessette-Kennedy, e da cunhada, Lauren Bessette, em um acidente de avião que ele mesmo pilotava.

John F. Kennedy Jr.
John John bate continência ao corpo do pai durante o cortejo fúnebre. Essa imagem comoveu o povo americano, e certamente contribuiu em muito para a idolatria do povo a família Kennedy
E o último caso, como já foi mencionado acima, aconteceu em maio de 2012, quando de Mary Richardson Kennedy, uma nora de Robert “Bobby” Kennedy, cometeu suicídio.

Mary Richardson Kennedy
A maldição foi mencionada pela primeira vez por um membro da família Kennedy. Em 1969 por Edward “Ted” Moore Kennedy, então senador por Massachusetts. Ted sobrevivera a um grave acidente de carro naquele ano.

"Por acaso, uma horrível maldição se abateu sobre todos os Kennedy?". Perguntou Ted em um discurso televisionado, a então jovem esperança democrata falava do acidente do Oldsmobile que ele dirigia e que acabou caindo na água na ilha de Chappaquiddick, causando a morte de sua passageira e funcionária, Mary Jo Kopechne.

Mary Jo Kopechne

Teorias sobre a origem da suposta maldição

Alguns partidários da teoria da conspiração tentam encontrar alguma explicação nos astros e consultam o mapa astral do patriarca Joseph "Joe" Kennedy, pai de JFK, de Bobby e Ted e de outros seis filhos. Os céticos afirmam que quando procuramos demais algum indício, vemos fatos em lugares onde não há nenhum.

Outros atribuem os horrores desta família ao feitiço que um rabino lançou contra o influente e poderoso empresário Joseph Patrick Kennedy, figura política do Partido Democrata e patriarca da família Kennedy, após uma discussão.

Jacqueline Kennedy, ainda com manchas de sangue em suas roupas, aparece de mãos dadas com seu cunhado, Bobby Kennedy, enquanto o caixão com o corpo de JFK era levado colocado em ambulância ao chegar a Washington.
Vale lembrar que Joseph havia sido embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido de 1938 a 1940. Joseph Kennedy almejava um crescimento politico, talvez até chegar a presidência, mas um erro estratégico o fez cair em desagrado em meio aos membros do partido. As vésperas da 2ª Guerra mundial Joseph teria aconselhado o governo americano a fazer algum tipo de acordo com Adolf Hitler, o que acabou levando muita gente influente dentro do governo a considerá-lo simpatizante do Nazismo.

Joseph P. Kennedy
Durante a Segunda Guerra Mundial JFK se tornaria herói, ao salvar os companheiros a bordo de um barco patrulha atacado por um contratorpedeiro japonês Amagiri. John teria nadado a noite inteira e convencido os tripulantes de duas embarcações da ilhas Salomão a entregar aos militares americanos que estavam na região um pedido de SOS escrito em uma casca de coco. Tal ato tornou JFK um herói de guerra, mas o curioso nessa história, foi o fato que levou John a embarcação atacada pelos japoneses. John tinha saúde frágil e por isso ocupava um cargo burocrático em um quartel, sendo que foi mandado a frente de combate como forma de punição por ter se envolvido com a Miss Dinamarca Inga Arvad, que posteriormente teria sido descoberta como espiã nazista.

Inga Arvad

Refutando as teorias de Maldição

Entre teorias de conspiração e estatísticas de mortes dramáticas, pesquisadores ponderam o fato de que a família era muito envolvida com a política e com a vida pública, o que os tornava bastante populares. Para Larry Sabato, cientista político da Universidade da Virgínia, “a teoria da maldição é muito popular porque temos observado muito esta família. Conhecemos cada um de seus membros". O fascínio do povo americano pelos Kennedy certamente está relacionada com a morte do JFK, fato que recentemente completou 50 anos. A morte do então presidente foi um evento televisionado e coberto pela mídia em tempo real, além do próprio evento estar envolto em inúmeras teorias da conspiração, a mais famosa afirma que JFK havia sido morto pela CIA, pois ele desejava retirar as tropas americanas do Vietnã, o que não era bem visto pela CIA, que temia que tal atitude fosse vista pelos Soviéticos como uma fraqueza. A morte de JFK comoveu o país, assim como aconteceu com Lincoln, talvez porque ambos assassinatos tenham sido cometidos por americanos, e ainda hoje envolto em mistérios e teorias.

Já Thomas Maier, jornalista e autor do livro "The Kennedys: America's Emerald Kings", um livro sobre o destino desta família, refuta essa teoria da maldição.

"Falar de maldição, como se um deus místico estivesse vingando algo que os Kennedy tenham feito, é absurdo e profundamente ofensivo para a sua religiosidade católica", disse Maier.

Ele ressaltou que, com Joe Kennedy, neto de Bobby, como representante no Congresso, o clã tem a sua "quarta geração (dedicada ao) serviço público".

"Nem todas as famílias têm três senadores, um presidente, dois candidatos à Presidência", considerou Larry Sabato, cientista político da Universidade da Virginia, em uma entrevista concedida à AFP.

Os filhos de JFK, Caroline e John John, são vistos durante o funeral do pai ao lado da mãe, Jackie, e dos tios Edward e Robert

Fontes: G1, Veja e R7

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