A pedra de Dighton Pular para o conteúdo principal

A pedra de Dighton


Em uma postagem que a pouco tempo foi ao ar aqui no Noite Sinistra (clique aqui para recordar), ouvimos falar de uma misteriosa pedra de Dighton. O assunto me chamou a atenção, o que me levou a realizar uma pequena pesquisa a respeito. Abaixo vocês poderão conhecer um pouco mais sobre esse assunto. Aproveitem...

Pedra de Dighton é um bloco de rocha cuja superfície, na face voltada para cima, está recoberta de inscrições, muito erodidas, cuja origem tem alimentado uma polêmica que já dura mais de 100 anos. Originalmente a pedra estava localizada dentro de água no estuário do rio Taunton, em Berkley, Massachusetts (em tempos parte da vila de Dighton, daí o nome da rocha). Para evitar os danos provocados pelo vandalismo, pela erosão das marés e pelos efeitos da variação térmica, em 1963, a rocha foi removida do rio e classificada como objecto protegido pelo Estado de Massachusetts.

A rocha e as teorias epigráficas explicativas


A pedra de Dighton é um bloco de arenito feldspático, com cerca de 40 toneladas de peso, formando um paralelepípedo com seis faces irregulares, medindo cerca de 1,5 m de altura, 2,9 m de largura e 3,4 m de comprimento. O bloco terá sido depositado na zona durante a última glaciação há cerca de 13 000 anos. O arenito que constitui o bloco é de cor castanho-acinzentada, com grandes fenocristais, apresentando uma textura grosseira.


A face onde estão as inscrições é de forma trapezoidal, estando, quando a rocha se encontrava no leito do estuário, voltada para noroeste, com uma inclinação de aproximadamente 39º em relação à vertical. As inscrições foram feitas com um instrumento cortante, de metal ou rocha de grande dureza, e têm uma profundidade que vai dos 2 aos 7 mm. Parte da superfície da inscrição sofreu abrasão pelo gelo e danos devido aos ciclos térmicos e a meteorização. O vandalismo ao longo dos anos também levou à destruição de algumas das marcações.

Ao longo dos últimos 350 anos a epigrafia da rocha tem suscitado as mais díspares interpretações, sendo a sua origem e significado objecto de longas polêmicas, a que não estão alheios os nacionalismos e os preconceitos étnicos que entretanto se foram gerando e desfazendo.

As teorias mais geralmente aceites atribuem a origem das inscrições aos seguintes povos:

Populações aborígenes norte-americanas, isto é aos índios das tribos Narragansett e outros povos algonquianos;

A navegadores fenícios que teriam atingido a costa norte-americana, sendo esta a mais antiga das teorias de uma origem não aborígene;

A navegadores vikings, de acordo com uma teoria proposta em 1837 por Carl Christian Rafn;

A navegadores portugueses, nomeadamente a Miguel Corte Real de acordo com uma teoria postulada em 1918 porEdmund B. Delabarre e posteriormente defendida numa obra do mesmo autor publicada em 1929. Teoria depois retomada pelo médico luso-americano e historiador autodidata Manuel Luciano da Silva.

As primeiras descrições conhecidas das inscrições na rocha datam de 1680, quando o reverendo John Danforth as copiou e enviou para Londres numa tentativa de obter uma interpretação. A partir daí as inscrições foram regularmente copiadas e reinterpretadas por dezenas de estudiosos sem que se tenha jamais atingido uma explicação cabal e inatacável. Um estudo completo foi elaborado em 1830 sob os auspícios da Rhode Island Historical Society, dando origem a uma nova onda de explicações e interpretações.

Desde 1829 que existiam planos para remover a rocha do interior do estuário e colocá-la num museu, tendo sido proposta a sua deslocação para Boston, Fall River e mesmo para a Dinamarca. Contudo, a primeira tentativa de remoção apenas foi feita em 1955, tendo sido interrompida por ordem judicial quando se detectou que os cabos usados na operação estavam a danificar a rocha. Depois de um estudo que determinou que a Pedra de Dighton era um calhau solto e não um afloramento rochoso, em 1963 o Massachusetts Department of Natural Resources construiu uma proteção e elevou a rocha cerca de 3,4 m acima da sua posição inicial colocando-a fora do alcance das águas da maré. A rocha permaneceu nessa plataforma, protegida por arame farpado durante alguns anos, mas o vandalismo continuou pelo que foi necessário recolhê-la num abrigo fechado, o que veio a acontecer em 1973. A rocha foi mantida com a sua orientação original mas foi inclinada por forma que a face gravada faça um ângulo de 70º com a vertical.


Em Novembro de 1952, a Miguel Corte Real Memorial Society da cidade de New York adquiriu 49,5 acres (aproximadamente 200 000 m²) de terra na zona adjacente à Pedra de Dighton com o objectivo de criar um parque em memória dos Corte Real. Não sendo pacífica a apropriação pela comunidade portuguesa do simbolismo da Pedra, o Estado de Massachusetts expropriou a parcela de terreno, em 1954 criando nela um parque estatal. Posteriormente mais terra foi adquirida e hoje o Dighton Rock State Park ocupa uma área de quase 100 acres (aproximadamente 400,000 m²). A zona foi ajardinada, criando-se uma área para recreação e lazer e um pequeno museu onde a rocha se encontra protegida.

O museu, autorizado pela legislatura de Massachusetts em 1974, é constituído por dois pequenos edifícios octogonais, um contendo a rocha, protegida por um vidro, o outro uma pequena coleção de artefatos relacionados com a navegação portuguesa e com os povos aborígenes locais.


A leitura portuguesa das inscrições


A partir da descoberta da inscrição da data "1511" em 1918 por Edmund Delabarre, foi por este realizada uma pesquisa dos eventuais visitantes europeus que pudesse ter estado na Nova Inglaterra por aquela época. Dessa investigação resultou a descoberta que por volta do ano de 1500 os irmãos Corte-Real, saídos da ilha Terceira, nos Açores, tinham desaparecido durante viagens de exploração no Atlântico noroeste.

A partir desse conhecimento, as inscrições foram reinterpretadas por Delabarre como dizendo: MIGUEL CORTEREAL v[oluntate] DEI hic DUX IND[iorum] 1511, que traduzido para português significaria: MIGUEL CORTE-REAL pela vontade de Deus chefe dos índios 1511. A interpretação apoia-se ainda na existência de formas que lembram cruzes de Cristo e o escudete português.

Pela sua interpretação e pela defesa que dela fez, o Professor Edmund Delabarre foi celebrado pelo Estado Novo e pelo nacionalismo português como um verdadeiro herói, sendo condecorado em 1926. Uma réplica da Pedra de Dighton está exposta no Museu de Marinha, em Lisboa.

Réplica exposta em Lisboa
Muito por influência de Manuel Luciano da Silva, um médico de origem portuguesa (natural de Vale de Cambra), tem sido mantida uma vigorosa campanha visando o reconhecimento e a divulgação da teoria portuguesa da origem dos desenhos rupestres de Dighton.

A teoria portuguesa tem sido muito desacreditada pela maior parte dos historiadores sérios, como Luís de Albuquerque, na sua obra Navegadores, Viajantes e Aventureiros Portugueses (1987). Eles afirmam que as inscrições são muito mais antigas do que a teoria portuguesa afirma.


Fonte: Wikipédia 

Quando amanhecer, você já será um de nós...

Não deixe de dar uma conferida nas redes sociais do blog Noite Sinistra...

 Siga o Noite Sinistra no Twitter   Noite Sinistra no Facebook   Comunidade Noite Sinistra no Google +   Noite Sinistra no Tumblr

Links Relacionados:

Comentários

  1. Oi Nando, não é querendo tirar vantagem..rsr mas eu quero conhecer vc melhor.. Vamo trocar uma ideia??

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Claro Kellia...manda um e-mail para Fernando.sg83@gmail.com ou Noitesinistra@gmail.com...Tem o perfil Noite Sinistra no Facebook também e no Twitter...escolhe o meio que mais te interessa...assim a gente faz contato...

      Abraços...

      Excluir
    2. Valeu Nando! Qualquer hora to te mandando um 'Oi'.. *--*
      Bjs!

      Excluir

Postar um comentário

Siga-nos no Facebook

Postagens Recomendadas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais acessadas no último mês

Links da Deep Web 2018

Saudações amigos e amigas. Hoje eu volto a publicar no blog Noite Sinistra uma matéria com links da deep web e prints da deep web.
Os links apresentados na matéria abaixo foram coletados entre janeiro e fevereiro de 2018, estando todos eles ativos nesse período, mas nada pode garantir que os mesmos estarão ativos até o final do ano, afinal de contas muitos sites na deep web mudam constantemente seus endereços afim de se manterem o mais seletivos quanto aos usuários que frequentam o espaço.

Exorcismo e orações em Latim

Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à ação dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo. A cultura ocidental recebeu essas idéias através da Bíblia e do cristianismo primitivo.

Luka Rocco Magnotta: 1 Lunatic 1 Ice Pick

Luka Rocco Magnotta (nascido Eric Clinton Kirk Newman; 24 de julho, 1982) é um ator pornográfico e modelo acusado de matar e desmembrar Lin Jun, um estudante chinês, e mandar vários de seus pedaços por correio para escritórios de partidos políticos canadenses e para escolas elementares de outra província.
Após o vídeo mostrando o assassinato ser publicado, primeiramente, em Fóruns da Deep Web (o vídeo ficou conhecido como "1 Lunatic 1 Ice Pick"), porém hoje em dia o vídeo já pode ser facilmente encontrado em sites especializados em terror Gore, Magnotta fugiu do país, tornando-se motivo para uma “Nota Vermelha da Interpol”, e assim iniciando uma verdadeira caçada internacional. Ele foi preso em 4 de Junho de 2012 em uma Lan House em Berlin, enquanto lia notícias a respeito de si mesmo.

O paraíso do LSD

Em 1997, um químico orgânico chamado Leonard Pickard, junto a Gordon Todd Skinner, construíram o maior laboratório de LSD do mundo. No local, um antigo silo nuclear, eram realizadas várias festas e orgias regadas a drogas.
Segundo fontes, tal laboratório era tão grande que chegou a produzir cerca de 90% do LSD disponível no mundo, isso sem falar nas grandes quantidades desconhecidas de MDMA, ALD-52, extrato de ergot e possivelmente LSZ.

Ted Bundy: O assassino de jovens mulheres

Saudações amigos e amigas. Hoje falaremos de um dos mais notórios serial killers que o mundo já conheceu: Ted Bundy. Ele assassinou cerca de 35 mulheres (crimes reconhecidos pelas autoridades) entre os anos de 1974 e 1978 em seis diferentes estados dos EUA. Ted Bundy é tido, por muitos, como o mais marcante serial killer dos EUA, tornando-se um verdadeiro pop star, muito disso talvez pela forma em que atuou no seu próprio julgamento, ou talvez pela desenvoltura que demonstrava defronte as câmeras em inúmeras entrevistas que deu durante o período em que esteve preso.