A batalha de Bud Dajo e o massacre do povo Moro


No ano de 1906 o povo Moro não reconheceu os EUA como novos governantes das Filipinas, recusando-se a pagar impostos e obedecer às ordens Norte Americanas. A reação dos EUA foi intervir militarmente o que, para muitos, acabou gerando um verdadeiro massacre. Convido os amigos e amigas a conhecer um pouco mais sobre esse assunto na matéria a seguir.

Há um par de anos, Rodrigo Duterte, o mandatário das Filipinas, chamou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de "filho da puta", supostamente por este ter criticado suas políticas de combate às drogas, antes de um encontro que aconteceria entre os dois. Na época, toda a mídia não poupou esforços para desqualificar o polêmico e desbocado presidente das Filipinas. No entanto, havia um contexto em toda esta história que a mídia, em peso, decidiu fazer vista grossa em favor de Obama, que cancelou o encontro.

Duterte lamentou que o líder norte-americano tenha tomado suas palavras "de maneira pessoal", pois, segundo ele, estava se referindo ao assassinato do povo Moro por soldados americanos, e os Estados Unidos nunca tiveram a decência de pedir desculpas às Filipinas por suas atrocidades durante a virada do século.


O incidente a que ele se referia aconteceu em 1906 na ilha de Jolo, Sulu, e ficou conhecida como a Batalha de Bud Dajo.

Batalha de Bud Dajo, ou seria massacre de Bud Dajo?

Tudo começou em dezembro de 1898, quando os EUA assinaram um tratado com a Espanha, adquirindo as Filipinas por US $ 20 milhões. Os filipinos, no entanto, recusaram a entrega e travaram uma guerra.

Em 4 de julho de 1902, o presidente americano Theodore Roosevelt declarou a guerra após subjugar com sucesso as forças filipinas insurrecionistas e, em sua própria proclamação, excetuou as partes do país habitadas pelas tribos Moro.

A Província de Moro foi criada em 1903. Ao contrário das outras províncias, esta deveria ser composta por oficiais do Exército dos EUA, liderados pelo major-general Leonard Wood, simplesmente porque os EUA acreditavam que o povo Moro era atrasado e precisava ser civilizado em questões democráticas.


Apesar de três anos de persuasão de Wood, o líder das tribos da ilha de Jolo se recusou a reconhecer os EUA como o governante do país. Isso foi tomando forma através de manifestações de violência esporádica e recusa em pagamento de os impostos. Wood não teve sucesso nos esforços para pacificar os insurgentes de Jolo e, consequentemente, os ataques Moro tornaram-se mais frequentes e os rebeldes passaram a acreditar que os americanos eram fracos demais para impedi-los.

Em resposta aos rumores de que os americanos planejavam exterminá-los, várias centenas de Moros, incluindo mulheres e crianças, mudaram-se para Bud Dajo, onde a lenda dizia que os espíritos do vulcão local ajudariam os guerreiros em momentos de necessidade.

Bud Dajo, a cratera de um vulcão extinto, fica a cerca de 10 quilômetros da cidade de Jolo. Localizada numa encosta íngreme, a 640 metros de altura, cercada por vegetação densa, era acessível apenas por três trilhas estreitas. Como tal, fornecia uma posição altamente defensiva e foi bem abastecida com provisões.

Quando as negociações não conseguiram provocar a rendição dos rebelados, Wood iniciou uma campanha em 5 de março de 1906, para acabar com o impasse em Bud Dajo. Ele enviou as tropas da Polícia das Filipinas e dos Estados Unidos ao Coronel Joseph W. Duncan para reprimir os insurgentes. Enquanto isso, outra tentativa de negociação terminou em fracasso no dia 6 de março.

Quando a artilharia bombardeou Bud Dajo para enfraquecer a resistência, a linha de frente abriu caminho pela densa selva e subiu a encosta. Na noite de 6 de março, os homens de Duncan pararam no meio da montanha e acamparam durante a noite. Na escuridão, tambores e cantos dos Moro era ouvidos ao longe, enquanto atiradores Moros disparavam periodicamente contra as tropas.

No dia seguinte, o avanço até a cúpula foi retomado enquanto a artilharia americana disparava ineficazmente contra os Moros. Em 7 de março, depois de sofrer pesadas baixas, muitos dos Moros fingiram a morte para tentar emboscar as forças de Duncan quando se aproximaram do topo da montanha.

As tropas norte-americanas atacaram as cottas (fortes) e outras posições dos amotinados, ocupando Bud Dajo finalmente em 8 de março. Uma vez que a área estava controlada, metralhadoras foram posicionadas em pontos estratégicos e Wood revelaria mais tarde que a artilharia só cessou quando não havia nem mais um Moro em pé.


Na batalha, 18 americanos perderam a vida e outros 52 ficaram feridos. Wood estimou o número de mortos em 600, incluindo mulheres e crianças, embora algumas estimativas tenham sugerido mais de 900. Os cadáveres foram empilhados em cinco valas rasas comuns e muitos dos corpos exibiam dezenas de disparos. Apenas sete pessoas foram capturados com vida, três mulheres e quatro crianças. Dezoito homens escaparam pela montanha, mas é possível que esse número tenha sido maior. Na época Wood tentou censurar os telegramas de Jolo descrevendo as baixas ou minimizando-as.

Embora as autoridades americanas considerassem a Batalha de Bud Dajo uma vitória significativa e elogiaram Wood por suas ações, parte da imprensa americana considerou que foi nada mais do que um massacre, particularmente devido à morte de tantos não-combatentes.

Algumas alegações falavam da prática dos guerreiros levarem suas esposas e filhos junto deles, mas algumas vozes da imprensa questionaram Wood por não ter apenas sitiado a montanha. Amigo de Wood, o presidente Theodore Roosevelt, enviou-lhe um telegrama de congratulações e o secretário de guerra William Howard Taft também aprovou a medida.

Em resposta às críticas, a explicação de Wood sobre o elevado número de mulheres e crianças mortas foi que as mulheres de Bud Dajo se vestiam como homens e se juntavam ao combate, e que os homens usavam crianças como escudos vivos.

Uma segunda explicação foi dada pelo governador-geral das Filipinas, Henry Clay Ide, que relatou que as mulheres e as crianças foram danos colaterais, mortas durante a tentativa de barrar a artilharia. Essas explicações conflitantes do elevado número de vítimas de mulheres e crianças e o acobertamento do número de vítimas só serviu para aumentar ainda mais as críticas ao combate.

A controvérsia logo se esgotou, pois as autoridades locais, em acordo com os americanos, acreditavam que a ação em Bud Dajo traria estabilidade a longo prazo. Infelizmente, a resistência Moro continuou, levando a outra Campanha Bud Dajo em 1911 e à Batalha de Bud Bagsak em junho de 1913. Mas isto é assunto para um outro artigo

- "As Filipinas não são um estado vassalo, há muito que deixamos de ser uma colônia dos EUA. Muitos jornalistas olham para Obama e os EUA como se fossemos cachorrinhos deste país. Eu não tenho que dar satisfações a ninguém, apenas ao povo da República das Filipinas. Quem é ele [Obama] para me confrontar, na verdade? A América tem muito a explicar pelos erros cometidos neste país", disse Duterte em 2016.

Fonte: Mdig

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Comentários

  1. PQ numa das fotos tem dois homens segurando um fuzil m16 do exercito americano????

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