Acidente com Césio-137 em Goiânia: o maior acidente radiológico do Mundo Pular para o conteúdo principal

Acidente com Césio-137 em Goiânia: o maior acidente radiológico do Mundo


No ano de 1987, a cidade de Goiânia era atingida por aquele que é considerado o maior acidente radiológico do mundo. A tragédia envolvendo o césio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irreversíveis.

Na matéria abaixo conheceremos um pouco mais sobre esse terrível desastre que do ponto de vista radioativo, o Césio 137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O incidente teve início depois que dois jovens catadores de papel encontraram e abriram um aparelho contendo o elemento radioativo. A peça foi achada em um prédio abandonado, onde funcionava uma clínica desativada. Convido a todos a conhecerem um pouco mais a respeito desse assunto, que nos foi indicado pela nossa amiga e colaboradora Nayara Mastub.

Mesmo passadas mais de duas décadas da tragédia, o acidente ainda deixa resquícios de medo. Um exemplo é a situação do local onde morava uma das pessoas que encontraram a peça. A casa em que vivia o catador foi demolida no mesmo ano em que tudo ocorreu. Apesar de o solo ter sido todo retirado e ter sido substituído por várias camadas de concreto, nunca mais qualquer tipo de construção foi feita no local.

O Brilho Mortal

Os dois catadores de lixo entraram em contato com uma porção de cloreto de césio, o césio-137. O componente químico ficava dentro de um aparelho de tratamento de câncer, que estava em uma clínica abandonada na capital de Goiás. Foram necessários apenas 16 dias para que o “brilho da morte”, como a substância ficou popularmente conhecida, matasse quatro pessoas e contaminasse centenas.

Em duas semanas, a porção de 19 g causou o maior desastre radiológico do mundo. Oficialmente, quatro pessoas morreram devido à exposição à radiação. Mas, de acordo com a Associação de Vítimas do Césio-137, o número de vítimas é bem maior e chega a 80.

A história começa em 1985, quando um instituto de tratamento de câncer desativa sua unidade de Goiânia. Quase todos os equipamentos foram levados, mas uma máquina de teleterapia (espécie de radioterapia) é deixada para trás.O aparelho usava cloreto de césio em pó como fonte de energia.

Contaminação

A tragédia começou quando dois jovens catadores de materiais recicláveis abrem um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado, no dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goiânia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoravam que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo.

Apesar de o aparelho pesar cerca de 100 kg, a dupla o levou para casa de um deles, no Centro. Já no primeiro dia de contato com o material, ambos começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, como tonteiras, náuseas e vômitos. Inicialmente, não associaram o mal-estar ao césio-137, e sim à alimentação.

Depois de cinco dias, o equipamento foi vendido para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado no Setor Aeroporto, também na região central da cidade. Neste local, a cápsula foi aberta e, à noite, Devair constatou que o material tinha um brilho azul intenso e levou o material para dentro de casa.

Lote da Rua 57, no Centro de Goiânia, foi um dos locais contaminados pelo césio-137 e até hoje segue inabitado
Devair, sua esposa Maria Gabriela Ferreira e outros membros de sua família também começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, sem fazer ideia do que tinham em casa. Ele continuava fascinado pelo brilho do material. Entre os dias 19 e 26 de setembro, a cápsula com o césio foi mostrada para várias pessoas que passaram pelo ferro-velho e também pela casa da família.

A primeira vítima fatal do acidente radiológico foi a garota Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Ela se tornou o símbolo dessa tragédia e morreu depois de se encantar com o pó radioativo que brilhava durante a noite.

A menina ainda fez um lanche depois de brincar com a novidade, acabou ingerindo, acidentalmente, partículas do pó misturadas ao alimento. Isso aconteceu longe dos olhos da mãe, Lourdes das Neves Ferreira.


Em 30 de setembro, técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e policiais militares começam a descontaminação da região. Mais de 112,8 mil pessoas são monitoradas (129 estavam gravemente contaminadas).

Riscos

Segundo o supervisor de radiodivisão César Luis Vieira, que também trabalhou na época do acidente, o risco de contaminação em Goiânia foi praticamente extinto. "Se for comparar o resultado de hoje com o da época, é uma diferença [de radiação] quase mil vezes menor", afirma.

César explica ainda que o nível de radiação da cidade é considerado dentro dos padrões normais. "Não há nenhum lugar que não tenha material radioativo, como, por exemplo, o urânio, que está no solo. É o que a gente chama de radiação natural, mas que não oferece risco", complementa.

Cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana após o acidente. Todo esse material com suspeita de contaminação foi levado para a unidade de do Cnen em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana da capita, onde foi enterrado.

Depósito de rejeitos do Césio-137 estão enterrado em Abadia de Goiás
Passadas mais de duas décadas, os resíduos já perderam metade da radiação. No entanto, o risco completo de radiação só deve desaparecer em pelo menos 275 anos.

Reclamações

O aposentado Teodoro Bispo, que trabalhou na descontaminação da área afetada pelo acidente, teve problemas em várias partes do corpo, principalmente na visão, por causa do contato com o elemento radioativo. Ele cobrou melhorias na assistência hospitalar e mais atenção do poder público para as vítimas.

"Eles falam que não iríamos ter nada, mas tem muita gente morrendo. A gente se sente abandonado. Nós que descontaminamos Goiânia recebemos apenas R$ 622", lamenta.

Agradecimentos a amiga Nayara Mastub pela dica.

Fonte: Brasil Escola, G1 e Mundo Estranho

Quando amanhecer, você já será um de nós...


CONFIRA OUTRAS POSTAGENS DO BLOG NOITE SINISTRA



Comentários

Siga-nos no Facebook

Postagens Recomendadas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais acessadas no último mês

Links da Deep Web 2018

Saudações amigos e amigas. Hoje eu volto a publicar no blog Noite Sinistra uma matéria com links da deep web e prints da deep web.
Os links apresentados na matéria abaixo foram coletados entre janeiro e fevereiro de 2018, estando todos eles ativos nesse período, mas nada pode garantir que os mesmos estarão ativos até o final do ano, afinal de contas muitos sites na deep web mudam constantemente seus endereços afim de se manterem o mais seletivos quanto aos usuários que frequentam o espaço.

Exorcismo e orações em Latim

Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à ação dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo. A cultura ocidental recebeu essas idéias através da Bíblia e do cristianismo primitivo.

Luka Rocco Magnotta: 1 Lunatic 1 Ice Pick

Luka Rocco Magnotta (nascido Eric Clinton Kirk Newman; 24 de julho, 1982) é um ator pornográfico e modelo acusado de matar e desmembrar Lin Jun, um estudante chinês, e mandar vários de seus pedaços por correio para escritórios de partidos políticos canadenses e para escolas elementares de outra província.
Após o vídeo mostrando o assassinato ser publicado, primeiramente, em Fóruns da Deep Web (o vídeo ficou conhecido como "1 Lunatic 1 Ice Pick"), porém hoje em dia o vídeo já pode ser facilmente encontrado em sites especializados em terror Gore, Magnotta fugiu do país, tornando-se motivo para uma “Nota Vermelha da Interpol”, e assim iniciando uma verdadeira caçada internacional. Ele foi preso em 4 de Junho de 2012 em uma Lan House em Berlin, enquanto lia notícias a respeito de si mesmo.

O paraíso do LSD

Em 1997, um químico orgânico chamado Leonard Pickard, junto a Gordon Todd Skinner, construíram o maior laboratório de LSD do mundo. No local, um antigo silo nuclear, eram realizadas várias festas e orgias regadas a drogas.
Segundo fontes, tal laboratório era tão grande que chegou a produzir cerca de 90% do LSD disponível no mundo, isso sem falar nas grandes quantidades desconhecidas de MDMA, ALD-52, extrato de ergot e possivelmente LSZ.

Ted Bundy: O assassino de jovens mulheres

Saudações amigos e amigas. Hoje falaremos de um dos mais notórios serial killers que o mundo já conheceu: Ted Bundy. Ele assassinou cerca de 35 mulheres (crimes reconhecidos pelas autoridades) entre os anos de 1974 e 1978 em seis diferentes estados dos EUA. Ted Bundy é tido, por muitos, como o mais marcante serial killer dos EUA, tornando-se um verdadeiro pop star, muito disso talvez pela forma em que atuou no seu próprio julgamento, ou talvez pela desenvoltura que demonstrava defronte as câmeras em inúmeras entrevistas que deu durante o período em que esteve preso.