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Oricalco: O metal de Atlântida

Moeda romana que seria de Oricalco
No texto de hoje voltamos a contar com a participação ilustre do nosso querido amigo Rusmea, dono do ótimo blog Rusmea.com e autor no blog Curionautas. No texto abaixo falaremos de um metal que varias fontes citam como um metal amplamente usado em Atlântida.

Oricalco é um tipo de metal que teria sido usado em Atlântida, citado em "Crítias", de Platão. De acordo com Crítias, o oricalco era considerado muito valioso, seu valor seria inferior apenas ao do ouro. Teria sido achado e explorado em muitos lugares da Atlântida em tempos remotos. Na época de Crítias no entanto, só era conhecido por nome. Não se sabe ao certo o que era o oricalco. Traduzindo do grego Ορείχαλκος (de όρος, oros que é montanha e χαλκός, chalkos , que é cobre ou bronze), a tradução literal seria "cobre da montanha" ou "metal da montanha".




É desconhecida também a composição desse metal. Pode ser uma liga de ouro/cobre, cobre/estanho, ou cobre/zinco/latão. Há ainda a hipótese de que esse fosse um metal desconhecido nos dias de hoje, tendo desaparecido junto com a mitológica ilha.

De acordo com Crítias, as paredes do Templo de Poseidon e Clito (localizado no centro da Atlântida) eram feitas de oricalco, assim como alguns pilares.

Levando-se em conta interpretações mais plausíveis e racionais acerca da existência ou não de Atlântida, duas hipóteses mostram-se razoáveis: uma é pressupor que a citação do Oricalco é uma referência à prata vinda das minas de Láurion, assim como a própria Atlântida tratar-se-ia de uma alegoria ao estado político de Atenas nos tempos de Platão. Outra interpretação diz respeito à Revolução do Bronze ocorrida na suméria, no quarto milênio a.C. O bronze é obtido com a mistura de cobre e estanho, como o estanho era de difícil obtenção e localização, até agora não se sabe, ao certo, como se deu a revolução da Era do Bronze na Suméria.

A tradução da palavra Titicaca, segundo Zecharia Sitchin, é 'montanha de estanho'. Ele sugere que nos Andes havia minas de estanho para, junto com o cobre, fabricar o bronze usado pelos antigos sumérios. O que indicaria que os Sumérios tivessem feito viagens para a América do Sul, como muitas teorias afirmam (clique AQUIAQUI e AQUI para ler algumas).

Menções ao misterioso material

Homero - um hino homérico a Afrodite menciona brincos de oricalco.

Hesíodo - no épico O Escudo de Héracles, do qual só restam fragmentos, Héracles põe grevas (armaduras para as pernas) de oricalco, que lhe foram presenteadas por Hefesto.

Platão - menciona o oricalco no diálogo Crítias, como um metal usado na Atlântida. A muralha externa da acrópole central da capital era coberta de oricalco, "que brilhava como fogo". Eram também de oricalco o pilar do templo no qual eram inscritas as leis de Atlântida e ante o qual era sacrificado o touro na cerimônia que reunia os reis de Atlântida a cada cinco ou seis anos.

Virgílio - diz na Eneida que o peitoral de Turnus, rei dos rútulos e inimigo de Enéias, era feito de "ouro e oricalco branco".

Flávio Josefo - o historiador judeu diz, nas Antiguidades Judaicas, que os vasos do Templo de Salomão eram feitos de oricalco.

Plauto - em uma comédia intitulada Miles Gloriosus (O Soldado Fanfarrão), um dos personagens diz: "Por minha fé, os seus modos mostram realmente marcas de nascimento de primeira classe. Me ache três homens de tais modos que aposto igual peso em auricalco."

Pausânias - ao mencionar Corinto em sua Descrição da Grécia, diz que as palavras do ritual dos mistérios de Lerna eram escritas em dórico, em um coração de oricalco.

Plínio, o Velho - na História Natural (capítulo 34) diz que o oricalco era um minério de cobre superior à calchitis de Chipre, que foi muito demandado por muito tempo, devido à sua excelente qualidade, mas se esgotara e há muito não se encontrava. Logo em seguida, porém, diz que o minério que em seu tempo era mais estimado era o mariano ou cordobano, que depois do liviano (da Gália), já quase esgotado em seu tempo, era o que melhor absorvia a cadmia "e se torna quase tão excelente quanto auricalco para fazer sestércios e dupôndios", enquanto o cobre de Chipre era usado para fazer os ases (moedas de valor inferior). Sestércios (2½ ases) e dupôndios (2 ases) eram comprovadamente feitos com latão de 80% de cobre e 20% de zinco, liga que nesse tempo valia o dobro de seu peso em cobre puro. Cadmia era, portanto, um minério de zinco (embora o zinco metálico não fosse conhecido dos romanos).

Cícero - usa a expressão "estanho e oricalco por ouro e prata", dando a entender que o oricalco era semelhante ao ouro, mas inferior, assim como o estanho à prata.

Pseudo-Aristóteles - o autor de De mirabilibus auscultationibus ("Sobre coisas maravilhosas que foram ouvidas"), tratado atribuído a Aristóteles, mas provavelmente de algum filósofo aristotélico dos séculos III a.C. ou II a.C., descreve o oricalco como um metal brilhante obtido da fusão do cobre com a adição de calmia, um tipo de terra encontrado nas costas do Mar Negro. O nome de calmia foi mais tarde dado a minério contendo óxido de zinco; neste caso, portanto, o oricalco pode ser inequivocamente identificado com o latão, liga de cobre e zinco.

Oricalco na visão dos Romanos

Para os romanos, o oricalco ou "auricalco" era, sem dúvida, a liga de cobre e zinco que hoje conhecemos como latão. Em seu tempo, a liga era produzida a partir da fusão de minério de cobre com uma "terra" que era, na verdade, um minério de zinco, a calmia (ou cadmia, como escrevia Plínio), hoje chamada calamina. Os romanos usaram latão rotineiramente na cunhagem de moedas, principalmente sestércios e dupôndios, a partir de 20 a.C.

Ligas de cobre e zinco podem ser brancas (se contiverem mais de 50% de zinco), dourada (com 18% a 50%) ou vermelha (com menos de 18%, quando é chamada também de tombac), o que pode explicar as descrições às vezes variadas da cor do metal.

Peitoral de tumbaga
Em tempos anteriores aos romanos, o latão deve ter sido visto como uma variedade muito rara de cobre, pois era obtido apenas das raras jazidas onde cobre e zinco encontravam-se naturalmente ligados. Peças obtidas a partir de latão nativo são encontradas no Oriente Médio de antes de 1000 a.C., mas são incomuns. As mais antigas são de Nuzi, cidade hurriana nos limites do antigo Mitanni, datadas de 1500 a.C. a 1350 a.C. Também foram encontradas peças de latão em tumbas de Górdio (Frígia, na Anatólia) a partir do VIII século a.C.

Tsuba de shakudō, com detalhes em ouro
Outra hipótese plausível é que o oricalco de tempos pré-romanos se tratasse de outras ligas de cobre que não latão (cobre e zinco) ou bronze (cobre e estanho), tais como o shakudō japonês, liga escura feita de 96% de cobre e 4% de ouro, usada principalmente em tsuba (guarda de espadas) e o shibuichi, liga acinzentada feita de 75% de cobre e 25% de prata. O misterioso "bronze de Corinto" (æs Corinthiacum), que os romanos dizem ter sido imune à pátina e mais valioso que o ouro, era produzido em Corinto antes do século II a.C. e segundo Plínio, o Velho, era uma liga de cobre, ouro e prata. Segundo ele, esse bronze podia ser luteum (amarelo), se feita com ouro, candidum (branco) se fosse de cobre e prata, de uma cor intermediária, quando os três metais eram unidos em proporção semelhante, ou ainda hepatizon (cor de fígado, marrom-avermelhado), menos valioso, se o cobre era unido a pequenas quantidades de ouro e prata.

Outras hipóteses a respeito do oricalco têm visado, na maioria das vezes, apoiar especulações incomuns sobre a localização da Atlântida, chegando a ignorar a afirmação explícita de Platão de que se tratava de um metal. Entre elas:
  • Âmbar - segundo a teoria de Jürgen Spanuth, que localizava a Atlântida no Mar do Norte e a relacionava a uma ilha conhecida pelos antigos como Basiléia, que teria sido uma fonte de âmbar.
  • Obsidiana - segundo a teoria de Christian M. Schoppe e Siegfried G. Schoppe, que localiza a Atlantida no Mar Negro.
  • Tumbaga - liga natural de ouro e cobre encontrada nos Andes, segundo a teoria de Jim Allen que localiza a Atlântida junto ao lago Poopó, na atual Bolívia .
  • Alumínio - especulação de alguns dos que propõem uma Atlântida tecnologicamente avançada, visto que a produção desse metal exige o domínio da energia elétrica em grandes quantidades.
Tsuba de shibuichi

Fontes: Wikipédia e Fantastipédia

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Comentários

  1. Elson Antonio Gomes30 de julho de 2014 12:40

    Viajei na teoria do Jim Allen: Atlântida na Bolívia é novidade.

    ResponderExcluir
  2. Bom , a base sem duvida é o cobre ( assim como no bronze , latão entre outros ) o que deveria diferir ele seria a quantidade das outras ligas como aluminio , zinco . Acho que nos dias de hoje seria um metal simples e de uso industrial , acho que não teria muito valor

    ResponderExcluir

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