As 10 batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial | Noite Sinistra
21/11/2018

As 10 batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial


A Primeira Guerra Mundial é lembrada como uma das guerras mais sangrentas da história da humanidade. Milhões de soldados morreram em ambos os lados do conflito e uma geração inteira de jovens foi exterminada nos campos de batalha.

Os horrores dessa guerra inegavelmente ecoaram e tiveram a sua participação na segunda guerra mundial.

Os exércitos se viram atolados em trincheiras impenetráveis, fator que causou milhares de mortes em fúteis ataques contra inimigos fortificados.

Na Primeira Guerra Mundial foram introduzidas novas e terríveis armas, como a metralhadora, que tornou os combates ainda mais horríveis, como veremos nesta lista das 10 batalhas mais sangrentas na Primeira Guerra Mundial.

10. Batalha de Tannenberg (182.000 baixas totais)

Após a fracassada invasão russa da Prússia Oriental, os russos infligiram uma derrota aos alemães em Gumbinnen e conseguiram mover-se em direção ao Ocidente.

Os alemães rapidamente se mobilizaram para consolidar o Oitavo Exército a fim de deter o avanço russo.


Apesar de estarem em desvantagem numérica, os alemães impuseram uma enorme derrota aos russos em Tannenberg, considerada por alguns como a derrota mais desigual da Primeira Guerra Mundial.

Os russos sofreram 170.000 baixas e os alemães 12.000, deixando evidente a inépcia dos comandantes russos e a ineficácia do exército do Czar Nicolau II.

9. Batalha de Arras (278.000 baixas totais)

Em 1917, a Frente Ocidental vivia um impasse que já durava dois anos. Muitas batalhas sangrentas, incluindo as carnificinas em Verdun e Somme, resultaram em milhões de baixas em ambos os lados. Os povos envolvidos no conflito, que em 1914 celebraram a guerra com euforia, agora estavam cansados e desapontados com os rumos dos acontecimentos.


O alto comando aliado precisava quebrar as linhas alemãs e avançar. O exército alemão já era numericamente inferior, e uma sólida vitória que rompesse as linhas alemãs poderia facilmente acabar com a guerra.

Como resultado, formou-se um plano para atacar as trincheiras alemãs na cidade de Arras, que combinado com um assalto francês ao sul, esperava finalmente romper o impasse na Frente Ocidental e trazer uma vitória aliada.

A Batalha de Arras começou em 9 de abril de 1917, e os esforços iniciais levaram à captura do cume Vimy, estrategicamente relevante, pelas forças canadenses, bem como a importantes conquistas das forças britânicas no centro dos combates.

No entanto, quando a batalha terminou em 16 de maio de 1917, o avanço britânico foi interrompido. Embora taticamente tenha sido uma vitória britânica, a batalha não resultou no tão esperado avanço aliado. Os britânicos perderam 158.000 homens no assalto, para uma perda alemã de 120.000.

8. Batalha de Galípoli (473.000 baixas totais)

Em 1915, a guerra no Ocidente literalmente estava atolada na lama. Ambos os lados haviam construído enormes redes de trincheiras e perdiam homens em ataques fúteis contra essas posições fortificadas. Além disso, a chocante derrota em Tannenberg colocou os russos contra a parede, e os Aliados corriam o risco de perder um valioso contribuinte para o esforço de guerra.


Com as baixas aumentando, os Aliados decidiram fazer uma aposta: abrir uma segunda frente. Sir Winston Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado, decidiu atacar o Estreito de Dardanelos na Turquia moderna para ameaçar Constantinopla, a capital do Império Otomano.

Os aliados esperavam que a segunda frente ajudasse a romper o impasse na Frente Ocidental e aliviasse a situação dos russos sitiados, abrindo uma rota marítima para o reabastecimento da Rússia.

Quando os ataques navais iniciais falharam, os Aliados decidiram por um ataque anfíbio para esmagar o exército otomano. Os aliados acreditavam que os turcos simplesmente se dobrariam e desmoronariam facilmente.

Naquela época, o Império Otomano era chamado de “o homem doente da Europa” e era visto como fraco. Entretanto, aconteceu exatamente o contrário: os otomanos resistiram, frustrando os desembarques aliados.

O resultado disso, juntamente com o mau planejamento por parte dos comandantes aliados, foi que as tropas aliadas ficaram imobilizadas nas praias e não conseguiram alcançar seus objetivos.

A frente de Galípoli caiu no mesmo impasse das trincheiras na Frente Ocidental, quando as forças britânicas, australianas e neozelandesas entraram em confronto com os turcos, ao tentar sair de suas cabeças de praia.

Os aliados acabaram perdendo 220.000 homens e os turcos, 253.000. O Império Otomano conquistou uma impressionante vitória.

7. Primeira Batalha do Marne (483.000 baixas totais)

No início de setembro de 1914, o exército alemão invadiu a Bélgica e avançava pela França, ameaçando Paris. Os britânicos e franceses já haviam sofrido pesadas baixas tentando impedir os alemães, e parecia que Paris cairia ante às forças germânicas.

Desesperados para deter o avanço alemão, as forças britânicas e francesas se consolidaram no rio Marne, nos arredores de Paris.


Os Aliados conseguiram deter a investida alemã na França em um contra-ataque contra os alemães por seis exércitos franceses e um exército britânico, causando pesadas baixas ao exército alemão, forçando-o a abandonar o plano de Schliffen e recuar, em um evento que veio a ser conhecido como o "Milagre no Marne".

Apesar da vitória dos Aliados, a batalha foi dispendiosa; as forças aliadas sofreram 263.000 baixas e os alemães 220.000.

Além disso, a batalha forçou os alemães a recuar,e para garantir sua posição, o exército alemão começou a construir trincheiras fortificadas, fazendo com que os Aliados respondessem com a mesma tática, o que levou à sangrenta guerra de trincheiras que caracterizaria a Frente Ocidental.

6. Campanha da Sérvia (mais de 633.500 baixas)

A Primeira Guerra Mundial começou quando o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, foi assassinado pelo nacionalista sérvio Gavrilo Princep. Pouco tempo depois, a Áustria-Hungria invadiu a Sérvia, fazendo com que os russos declarassem guerra à Áustria-Hungria, e que depois os alemães declarassem guerra à Rússia, e assim por diante.


A campanha sérvia começou com o bombardeio austríaco de Belgrado em 29 de julho de 1914, seguido pela invasão militar da Sérvia em 12 de agosto.

Apesar de em menor número, os sérvios conseguiram resistir à invasão austríaca na maior parte de 1914 e em 1915, quando os alemães e búlgaros se juntaram aos austríacos no esforço para conquistar a Sérvia e lançaram uma nova ofensiva, que culminou na Batalha de Kosovo em novembro e dezembro de 1915, onde o exército sérvio foi finalmente vencido e a Sérvia esmagada.

5. Batalha de Passchendaele (848.614 vítimas totais estimadas)

Essa batalha, travada de julho a novembro de 1917, tornou-se sinônimo dos horrores e da insensatez da guerra de trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial.

Também conhecida como a Terceira Batalha de Ypres, o objetivo da batalha era avançar na vila Passchendaele em Flandres Ocidental, na Bélgica, para flanquear e derrotar o exército alemão.


Em uma série de operações de “morder e reter” contra as linhas inimigas, os Aliados tentaram desgastar os alemães através de uma sangrenta guerra de atrito, culminando com o Corpo Canadense tomando o controle de Passchendaele em 6 de novembro de 1917, encerrando a batalha.

As condições durante a batalha eram miseráveis; ambos os lados sofreram baixas horríveis, com os britânicos tendo apenas pequenos ganhos territoriais por seus esforços.

A lama era uma característica constante da paisagem agitada, atolando tanques e até mesmo afogando homens. O primeiro-ministro britânico da época, David Lloyd George, usou a batalha como um exemplo de desperdício insensato e mau senso geral. Os aliados perderam um total de 448.614 homens e os alemães, 400.000.

4. Batalha de Verdun (976.000 baixas totais)

Enquanto a batalha do Somme estava sendo planejada, os alemães organizaram um ataque maciço contra a fortaleza francesa perto da cidade de Verdun-sur-Meuse.

Embora o objetivo alemão fosse capturar a cidade, havia outro bem mais tétrico; simplesmente matar tantos soldados inimigos fosse possível, para quebrar o moral dos franceses, forçando-os a abandonar a luta.


Os franceses, no entanto, teimosamente defenderam Verdun e infligiram terríveis baixas aos alemães, enquanto sofriam com suas próprias perdas.

Quase 40 milhões de projéteis de artilharia foram trocados durante a batalha, marcando a área com crateras, algumas das quais ainda são visíveis até hoje; a batalha popularizou grito de guerra francês: “Eles não passarão!”.

Verdun passou a ser para os franceses e alemães o que o Somme era para os ingleses; um símbolo dos horrores da guerra em geral e da futilidade da Primeira Guerra Mundial. Os franceses perderam cerca de 542.000 soldados, enquanto os alemães perderam cerca de 435.000.

3. Batalha do Somme (1.219.201 baixas totais)

A Batalha do Somme ainda reverbera nas mentes dos britânicos como um exemplo dos massacres sem sentido da Primeira Guerra Mundial.

Planejada em 1916, o objetivo da batalha era ser um enorme esforço anglo-francês para criar uma ruptura nas linhas alemãs que poderia ser explorada com um golpe decisivo. O ataque alemão contra Verdun, no entanto, forçou os comandantes aliados a mudar seus planos, e a batalha tornou-se uma ofensiva principalmente britânica, embora os franceses ainda contribuíssem significativamente para a batalha.


Os britânicos prepararam-se para a ofensiva com uma enorme barragem de artilharia de vários dias nas linhas alemãs, o que eles esperavam que danificasse as defesas alemãs o suficiente para permitir que suas forças conseguissem penetrá-las.

Na abertura da batalha, os britânicos descobriram que não teriam êxito em seus planos, quando sofreram 60.000 baixas em um dia; a maior perda de vida em um único dia na história do exército britânico.

Os ataques continuaram ao longo da área do Somme até 13 de novembro de 1916, quando a ofensiva finalmente terminou.

Para a maioria dos analistas, o avanço aliado de 9,7 km não justificou, nem de longe, as enormes perdas sofridas. Assim, a batalha que seria o ponto de virada da guerra em favor dos anglo-franceses acabou terminando em um impasse estratégico. Os alemães também sofreram muito. Ao fim de 1916, o general Erich von Falkenhayn foi substituído por Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff no comando do exército imperial alemão.

2. Ofensiva da primavera (1.539.715 baixas totais)

Também conhecida como a ofensiva de Ludendorff ou o kaiserschlacht (Batalha do Kaiser), a Ofensiva da Primavera foi lançada, como o próprio nome sugere, na primavera de 1918.


A Alemanha estava contra a parede; o país sofria com o bloqueio britânico de seus portos, e havia perdido tantos homens que o exército alemão tinha que recrutar velhos e meninos para lutar nas linhas de frente.

Além disso, a chegada de milhares de novas tropas dos Estados Unidos pavimentava o caminho para uma vitória certa dos Aliados. O alto comando alemão sabia que a única maneira de vencer a guerra era derrotar os Aliados com uma grande ofensiva antes que os americanos pudessem ser totalmente mobilizados.

O general alemão Erich Ludendorff foi escolhido para planejar a ofensiva, que foi lançada em 21 de maio de 1918. O plano era um grande esforço contra a frente do Somme, mantida pelos britânicos, com três outros ataques destinados a desviar a atenção dos Aliados do ataque final à Alemanha.

Esperava-se que o ataque contra o Somme rompesse as linhas aliadas, quebrando o exército britânico e forçando os Aliados a buscarem termos de armistício. Usando “stormtroopers” em movimento rápido, os alemães inicialmente fizeram avanços significativos, empurrando os Aliados de volta e ganhando uma enorme fatia de terra nos termos da Primeira Guerra Mundial.

No entanto, a operação não tinha metas claras e os alemães acabaram se movendo tão rapidamente que não conseguiram transportar suprimentos suficientes para manter o avanço. Além disso, eles não conseguiram fornecer unidades em movimento rápido, como a cavalaria, para explorar seus ganhos territoriais.

No final de Abril de 1918, o perigo de uma vitória alemã tinha passado. O Exército Alemão tinha sofrido pesadas baixas e ocupava agora terreno de pouco valor estratégico que se mostrou impossível de manter com os poucos recursos humanos agora disponíveis. Em Agosto de 1918, ao Aliados deram início a uma contra-ofensiva utilizando novas técnicas de artilharia e métodos operacionais.

Já falamos dessa batalha aqui no blog em uma outra postagem, onde o foco era uma imagem icônica registrada dessa batalha que ficou conhecida como A acusação contra a guerra. Fica o convite para que os amigos cliquem AQUI e confiram essa e outras imagens dessa batalha.

1. Ofensiva de Cem Dias (1.855.369 baixas totais)

Com o fracasso da Ofensiva da Primavera, os alemães ficaram enfraquecidos, tendo ganhado terreno que eles não poderiam defender adequadamente e tendo mobilizado a maioria de seus melhores soldados tentando quebrar as linhas aliadas.


Os Aliados, por outro lado, foram duramente castigados, mas não foram vencidos, e passaram a contar com o auxílio de milhares de soldados vindos dos Estados Unidos, sob o comando do general John "Blackjack" Pershing.

O comandante supremo aliado na época, o marechal Ferdinand Foch, decidiu que os aliados deveriam voltar à ofensiva e concordou com um plano proposto pelo comandante britânico Sir Douglas Haig para atacar o debilitado Segundo Exército alemão em Amiens.

O ataque, conhecido como a Batalha de Amiens, foi um sucesso, forçando os alemães a abandonar as linhas em Amiens.

Os Aliados lançaram outra série de ofensivas e obtiveram um sucesso espetacular; as linhas alemãs foram finalmente quebradas e os alemães foram forçados a recuar para a Linha Hindenburg, uma série de construções defensivas que protegiam a pátria alemã.

Os Aliados começaram então a atacar a Linha com uma série de ofensivas dirigidas para alcançar o avanço final. Os alemães enfraquecidos e exaustos lutaram com bravura, mas não conseguiram defender as linhas e, por fim, os Aliados romperam a Linha Hindenburg na Batalha de Cambrai.

Os alemães acabaram por pedir a paz, e um armistício foi assinado em 11 de novembro de 1918, encerrando as sangrentas batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Embora a Ofensiva dos Cem Dias tenha dado a vitória para o Aliados, eles pagaram caro por ela; os aliados perderam um total de 1.069.636 soldados, incluindo 127.000 americanos. Os alemães perderam 785.733 homens, mas talvez a maior perda tenha sido o colapso do Império Alemão e os esmagadores termos de paz que os alemães foram mais tarde forçados a aceitar.

Fonte: Kid Bentinho

Quando amanhecer, você já será um de nós...


CONFIRA OUTRAS POSTAGENS DO BLOG NOITE SINISTRA



2 Comentários
Comentários
2 comentários:
  1. Os motivos que levaram a Primeira Guerra Mundial eram totalmente evitáveis.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente amigo. Foi um conflito que serviu de eco para a segunda guerra mundial e teve como eco a guerra franco-prussiana. As tensões residuais desse conflito e o assassinato de Franz Ferdinand impulsionaram a Europa para esse terrível conflito.

      https://seuhistory.com/hoje-na-historia/arquiduque-e-assassinado-em-estopim-da-primeira-guerra

      Excluir

Página do Facebook

Publicidade 1

Noite Sinistra no Instagram

Postagem em destaque