Pesquisadora reconstrói rosto de povo dizimado pela colonização espanhola | Noite Sinistra
03/10/2018

Pesquisadora reconstrói rosto de povo dizimado pela colonização espanhola


Saudações galera atormentada. O título dessa matéria pode deixar alguns amigos e amigas um tanto em dúvida em relação ao motivo da publicação desse texto, pois embora eu tenha o costume de postar algumas matérias mais focadas em curiosidades sem algum apelo para o terror e o mistério, essa matéria parece destoar demais da temática central do blog. Mas eu explico. O assunto como um todo é curioso e interessante, mas são as entrelinhas que atraíram a minha atenção para essa notícia: a crueldade da era do colonialismo europeu.

O colonialismo Europeu

O colonialismo é uma forma de imposição de autoridade de uma cultura sobre outra. Ele pode acontecer de forma forçada, com a utilização de poderio militar ou por outros meio como a linguagem e a arte. A dominação portuguesa no Brasil é um bom exemplo de colonialismo, assim como a colonização da África, destruição da cultura dos povos andinos e a influência da cultura americana em países subdesenvolvidos.

Os dois principais países da primeira onda do colonialismo europeu foram Espanha e Portugal, que foram responsáveis por colonizar a América do Sul e Caribe através do Tratado de Tordesilhas em 1494. Esse tratado foi responsável pela divisão da terra entre Espanha e Portugal. A expansão conseguida pela Espanha e Portugal chamou a atenção da Grã-Bretanha, França e Países Baixos. A entrada desses três impérios no Caribe e na América do Norte perpetuou colonialismo europeu nessas regiões.

A segunda onda do colonialismo europeu iniciou o envolvimento da Grã-Bretanha na Ásia com o apoio das Companhia das Índias Orientais. Outros países, como França, Portugal e Países Baixos, também tiveram envolvimento da expansão europeia na Ásia. A última onda consistiu na disputa pela África, que foi organizada através da Conferência de Berlim em 1884 e 1885. A conferência foi criada para dividir a África entre as potências europeias. Vastas regiões da África foram dadas a Grã-Bretanha, França, Alemanha, Portugal, Bélgica, Itália e Espanha, que dá conhecimento à diversidade pós-colonial da África.

Gilmartin explica que essas três ondas do colonialismo foram ligadas ao capitalismo. A primeira onda da expansão europeia estava explorando o mundo para encontrar novas receitas e perpetuando o feudalismo europeu. Considerando que a segunda onda se concentra no desenvolvimento do sistema capitalismo mercantil e a indústria de manufatura na Europa. A última onda do colonialismo europeu solidificou todos os empreendimentos capitalistas, a ascensão de novos mercados e matérias-primas.

Todos nós já estudamos esse expansionismo praticado pelos europeus na época do colégio. Mas o que muitas vezes passa batido foi a forma violenta com que essas conquistas foi realizada. Aztecas e Incas que o digam, isso para citar apenas povos aqui da América.

A crueldade com que essa expansão foi conduzida muitas vezes acaba passando desapercebida ou ignorada pelos livros de história, afinal de conta a história sempre é contada pelos vitoriosos nas guerras. Nesse período tribos e etnias inteiras foram exterminadas.

Aqui no blog mesmo já mencionamos o caso acontecido no Congo, e que acabou conhecido como O holocausto no Congo (clique AQUI para ler sobre essa terrível história). Também já falamos da Guerra Negra e o extermínio dos aborígines na Tasmânia (clique AQUI para saber mais).

A extinção de um povo

Por mais que a imagem dê uma noção da aparência do Povo Guanche, das Ilhas Canárias, cientista Karina Osswald explicou que esses indígenas poderiam ter características distintas a depender de quais ilhas habitavam.


Uma pesquisadora da Universidade de Dundee, na Escócia, reconstruiu o rosto de uma moradora indígena das Ilhas Canárias. De acordo com o portal Daily Mail , o trabalho foi feito a partir da análise do crânio da mulher, que viveu há 600 anos no território que foi invadido pela colonização espanhola no século 15.

O trabalho foi feito pela escocesa Karina Osswald, que conseguiu atribuir um rosto ao povo Guanche, habitante do arquipélago durante mais de 14 séculos até ser extinto durante a colonização espanhola . “A verdadeira identidade dessas pessoas tem sido um verdadeiro mistério, sendo as informações da literatura espanhola as únicas sobre esse intrigante povo indígena”, explicou.

“Durante esse projeto, eu acabei aprendendo tanto sobre os Guanches e espero que sua imagem [da mulher com o rosto reconstruído] inspire outros a descobrir mais sobre essa antiga civilização”, declarou Osswald, que utilizou técnicas forenses e um scanner 3D para chegar ao resultado final.

O crânio em questão foi descoberto em um sítio arqueológico no século 19, quando foi doado para o Museu de Anatomia da Universidade de Edimburgo. Mais de 100 anos depois, ele foi objeto de estudo da aluna da pós-graduação, que criou a reconstrução craniofacial como trabalho de conclusão do curso de Arte Forense e Identificação Facial.

“O que eu criei é uma estimativa de como um desses aborígenes se parecia. Contudo, estudos recentes sugerem que as aparências dos Guanches era diferente entre cada uma das Ilhas”, explicou sobre o arquipélago formado por sete ilhas principais.

“Isso significa que, para pesquisas futuras, um dia poderemos ter uma ideia clara das diferenças individuais entre cada grupo indígena da região”, concluiu.


Povo Guanche foi dizimado pela colonização espanhola

Os Guanches eram povos aborígenes que originalmente habitavam as Ilhas Canárias , localizadas no Oceano Atlântico, próximas da costa do Marrocos. Como eles foram dizimados, as únicas fontes de informação disponíveis são fósseis e literaturas da Espanha, o que torna a compreensão de seus hábitos e aparência ainda mais difícil.

Contudo, pesquisas recentes conseguiram sequenciar seu genoma e descobrir que eles eram originários do norte da África. Os indígenas teriam migrado para o arquipélago por volta do ano mil antes de Cristo e seriam descendentes dos povos berberes, possivelmente da Líbia.


Estudos também apontaram que os grupos eram caçadores-coletores e viviam como as pessoas da Idade da Pedra. Eles provavelmente moravam em cavernas e cabanas e tinham poucas ferramentas, dado a escassez de minérios nas ilhas vulcânicas.

Os Guanches possuíam organizações sociais sofisticadas, noções básicas de agricultura e técnicas de mumificação dos mortos, assim como os egípcios. E a relação entre os dois povos pode estar além disso, já que alguns pesquisadores acreditam que o grupo indígena podem ter construído pirâmides como as do Egito.

Após a colonização espanhola , eles foram étnica e culturalmente assimilados, sendo que alguns elementos da sua cultura, como a língua Silbo, permanecem presentes na região até hoje.

Fonte: Último Segundo

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