As sinistras “pedras da fome” estão reaparecendo pela Europa | Noite Sinistra
28/08/2018

As sinistras “pedras da fome” estão reaparecendo pela Europa


À medida que a Europa passa por uma seca recorde no verão de 2018, lembretes sinistros de sociedades antigas estão ressurgindo pela paisagem.

Estamos falando de inscrições conhecidas como “pedras da fome”, esculpidas ao longo dos séculos em épocas de dificuldades, com iniciais de autores perdidos para a história.

Devido aos baixos níveis de água na região central do continente, tais inscrições têm reaparecido principalmente na República Tcheca.

Registros históricos

Essas pedras ficam tradicionalmente abaixo da linha de água do rio Elba. Na cidade de Děčín, no norte da República Tcheca, graças às condições atuais, mais de uma dúzia dessas rochas foram novamente expostas.

O mais antigo e famoso destes marcos, de acordo com o guia turístico de Děčín, contém uma inscrição que data de 1616 onde se lê: “Wenn du mich siehst, dann weine” (em tradução livre, “Se você me ver, chore”).

Enquanto o registro legível mais antigo nesta “pedra da fome” seja de 1616, a rocha comemora numerosas secas que datam de 1417.


Uma “pedra da fome” na Alemanha também aponta para essa data, lendo: “Se você voltar a ver esta pedra, então você vai chorar, tão rasa quanto a água foi no ano de 1417”.

Sinais de tempos ruins?

A maioria dessas “pedras da fome” contém frases sombrias, como “Nós choramos, e você vai chorar” e “Quem uma vez me viu, chorou. Quem me vê agora vai chorar”.

As razões para esses ataques de choro podem ser numerosas. Quando a seca e o calor chegam na região, sinalizam possíveis colheitas ruins, falta de comida e preços mais altos. Com níveis baixos de água, o transporte fluvial também se torna mais difícil, ameaçando o sustento de famílias que vivem ao longo da costa.


Com o Elba agora em seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca atual serviu ainda para nos lembrar de um outro tipo de miséria: bombas e granadas não detonadas da Segunda Guerra Mundial, que vêm corroendo há mais de 70 anos nessa hidrovia, também reapareceram.

Enquanto os cientistas não podem dizer o que o mais recente verão escaldante do Hemisfério Norte anuncia para o futuro, nem todas as inscrições antigas de Děčín são previsões de filme de terror. Pelo menos uma tenta aliviar o clima: “Neplac holka, nenarikej, kdyz, je sucho, pole strikej”, algo como “Não chore, garota, não se aflija. Quando estiver seco, apenas pulverize seu campo”.

Fonte: Hypescience

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