21/02/2018

O Casal Canibal: O chocante caso dos maníacos de Krasnodar


Ao longo dos anos que escrevo e configuro matérias para o blog Noite Sinistra uma coisa sempre me deixou assustado: a capacidade humana de cometer atos hediondos. Tal constatação, às vezes torna necessário parar e respirar fundo... algumas vezes, o horror supera a compreensão e nos faz querer acreditar que o mal praticado por alguns pode ter sido inspirado por forças sobrenaturais. A alternativa de acreditar que pessoas de carne e osso podem ser tão cruéis é por si só repulsiva demais. Vamos tomar por exemplo um caso bizarro, tema da matéria de hoje, recentemente noticiado pela imprensa com grande alarde e que ocorreu na Rússia. Ele nos faz pensar se não existem limites ou se já atingimos o fundo do poço.

Em setembro de 2017 um homem e uma mulher foram presos em Krasnodar, na Rússia, suspeitos cometerem canibalismo contra 30 pessoas que teriam assassinado. Em uma busca na casa do casal, os policiais descobriram sete pacotes congelados com restos de corpos humanos, além de alguns fragmentos de pele. A dupla confessou que guardava as vítimas na geladeira para, depois, serem consumidas.

Esse caso já foi tema de uma matéria aqui no blog Noite Sinistra. Na época em que o casal foi preso, o amigo Chico Izidro nos enviou uma matéria que falava da prisão dos dois canibais, e essa dica acabou virando uma matéria aqui para o blog NS. Pois bem, eu monitorei a história por algum tempo, e agora resolvi compilar algumas informações mais atualizadas do caso. Volto a agradecer o amigo Chico Izidro pela dica.

Um celular revela um crime hediondo

A revelação dos crimes dessa bizarra história de crimes tem início de forma totalmente corriqueira com o extravio de um telefone celular. O aparelho foi esquecido em um ponto de ônibus e encontrado no dia 11 de setembro de 2017 por operários que estavam fazendo reparos na rua. O celular não possuía nenhuma senha de bloqueio e pensando em devolvê-lo ao dono, os trabalhadores acessaram seu conteúdo. Foi então que fizeram uma descoberta chocante.

No cartão de memória do celular haviam dezenas de fotografias nas quais um casal aparecia fazendo poses diante do que pareciam ser cadáveres humanos. As imagens eram selfies nos quais sempre o mesmo homem e a mulher, posavam diante de uma carcaça horrivelmente mutilada. Em uma foto uma cabeça de mulher foi colocada em uma bandeja e cercada de frutas. Em outra, o casal sorri enquanto admiram restos humanos dispostos sobre uma mesa posta. Uma das fotos mostrava o homem com o que parecia ser uma mão decepada na boca e em outra ele segurava uma faca e um cutelo. Além de fotos dos dois interagindo com esses restos, haviam imagens de membros amputados enrolados em papel laminado guardados em um freezer, mãos, pés e toda uma coleção de medonhos troféus. Os operários ficaram apavorados e resolveram levar o celular até a polícia.

Não foi difícil para as autoridades identificar que o telefone pertencia a Dmitry Backsheev, de 35 anos, um morador da cidade de Krasnodar no sul da Rússia. Ele trabalhava como ajudante de zelador da Academia de Aviação Militar próxima e não possuía nenhum registro criminal.


Dmitry era legalmente casado com Natalia Baksheev, 42 anos, e os dois residiam no número 135 da rua Dzerzhinskogo em um apartamento que servia de albergue para funcionários da academia. O lugar era absolutamente comum, uma vizinhança tranquila de Krasnodar. Natalia trabalhava na mesma academia que o marido, atuando como assistente de enfermeira.


Imediatamente alguns policiais se recordaram que semanas antes, o cadáver de uma mulher havia sido encontrado esquartejado nas proximidades de um campo de treinamento que fazia parte da academia militar. O corpo havia sido desmembrado por um criminoso que colocou pedaços em uma sacola e numa mala. Algumas partes no entanto estavam ausentes. A polícia local trabalhava com a possibilidade de se tratar de um crime envolvendo a violenta máfia russa que opera em Krasnodar e costuma ser particularmente cruel. Contudo, as evidências recém descobertas apontavam para Dmitry e Natalia.

Prisão dos monstros

Um efetivo de policiais e detetives, apoiado por soldados fortemente armados se dirigiu para o endereço do casal. Ao bater na porta de manhã cedo, Dmitry abriu e os deixou entrar. O sujeito havia acabado de acordar, vestia um pijama de moletom e recebeu os policiais sem demonstrar qualquer nervosismo. Quando mostraram a ele o mandato de busca e explicaram por que estavam ali, ele sorriu e disse que as coisas que o grupo estava procurando estavam na cozinha. Enquanto ele esperava na sala, vigiado pelos soldados, os detetives encontraram as macabras evidências de que aquele era o assassino da moça desmembrada. Mas as surpresas naquela casa de horrores estavam apenas começando!

Além dos restos da vítima encontrada no campo de treino, haviam muitas outras. Os restos estavam embalados em plástico ou em papel laminado cuidadosamente acondicionados no freezer para congelamento. Em um compartimento da geladeira, os detetives acharam cabeças humanas mumificadas, em outra gaveta estavam dedos, mãos, genitais e outros pedaços de anatomia. Dois grandes vidros de conserva na geladeira continham mais restos humanos preservados em vinagre comum. Quando perguntado quantas pessoas ele havia matado, Dmitry respondeu com pouco interesse que matava desde 1999 e que não lembrava quantas vítimas havia feito. Finalmente quando questionado sobre o motivo de guardar os restos, ele não exitou ao responder: "Eu os comia"!


Enquanto a casa era revistada, Natalia retornou do trabalho noturno na Academia e ao se deparar com os soldados tentou escapar, sendo detida imediatamente. A mulher foi conduzida até o apartamento e colocada ao lado do marido. Diferente dele, que permaneceu tranquilo durante o interrogatório preliminar, ela reagiu e teve de ser algemada. Natalia gritava e esbravejava, dizendo que os policiais não tinham direito de estar na sua propriedade e que deviam sair. Quando confrontada com as descobertas macabras ela tentou escapar e pular pela janela, mas foi contida. O casal foi levado em uma viatura até a sede da polícia local. Durante todo o trajeto, a mulher tentou agredir mordendo os policiais até que um médico lhe aplicou um sedativo.

Mais evidências terríveis

No pequeno e bagunçado apartamento de quarto e sala do casal, os agentes da polícia continuavam a encontrar evidências do bizarro estilo de vida que os dois levavam. Encontraram panelas e frigideiras sujas, facas e cutelos mal lavados e outros utensílios - entre os quais uma faca elétrica que provavelmente eram usados na cozinha. No quarto do casal, acharam várias fitas de vídeo pornográficas, revistas e brinquedos sexuais, além de crânios humanos e ossos guardados em uma sacola de ginástica. Havia ainda uma caixa com uma cabeça mumificada e várias perucas, óculos escuros e chapéus.


No banheiro que exalava um cheiro forte de medicamento, encontraram um frasco e ampolas de Corvalol um potente tranquilizante e relaxante muscular (derivado do Fenobarbitol). A substância havia sido subtraída da enfermaria da Academia onde Natalia era enfermeira. Drogas também estavam embaladas em uma gaveta do banheiro, bem como amostras de urina, provavelmente usadas para burlar exames médicos.

No computador pessoal que pertencia ao casal, a polícia encontrou centenas de fotografias semelhantes às que estavam no celular de Dmitry. Nelas havia imagens de pratos sendo preparados, do casal em cenas de sexo cercados por restos humanos e outras imagens perturbadoras dos dois participando de suas refeições asquerosas. Além disso, havia um arquivo com "receitas" e dicas para o preparo de carne humana chamado "Video Lessons for Cannibals" um material presente na Deep Web que parecia servir como "livro de receitas" para os maníacos.


Confissão de Dmitry

No departamento de Polícia, os dois foram autuados e separados. Natalia continuava gritando e ordenando que o marido não falasse nada até a chegada de um advogado. Mas uma vez conduzido a uma sala de interrogatório, Dmitry não demorou a soltar a língua. Ele parecia interessado em contar sua história aterrorizante.

Primeiro ele confirmou ter matado e desmembrado a mulher encontrada no campo de treino. Ele disse que as fotografias no celular eram de uma semana antes quando ele e a esposa resolveram preparar os restos e comê-los em um jantar de celebração de uma promoção que ele havia recebido no trabalho.

Dmitry não sabia o nome da jovem de vinte e poucos anos, ele a havia atraído com a promessa de lhe dar algumas drogas, mas estas haviam sido manipuladas com o acréscimo de Corvalol. Quando a moça sentiu os efeitos, desmaiou e ele a matou com um corte na garganta. Em seguida, desmembrou o corpo, separou os pedaços que lhe interessavam - cabeça, mãos e um pedaço da panturrilha e se desfez do resto. O assassino revelou então para os investigadores chocados que vinha fazendo o mesmo desde 1999.

Dmitry abriu mão de um conselheiro legal e começou a falar sem parar por mais de quatro horas. Revelou dezenas de crimes, em suas contas estes "somariam mais de 15 e menos de 30".

Seu modus operandi era sempre o mesmo e se mostrava muito bem sucedido, ele costumava atrair suas vítimas oferecendo a elas drogas ilícitas ou que haviam sido obtidas da academia. Natalia tinha conhecimento básico do funcionamento das substâncias e acrescentava doses para dopar as vítimas. Quando elas dormiam, Dmitry as matava, geralmente asfixiadas com um saco plástico na cabeça ou com um corte na garganta. Ele então podia desmembrá-las e levar as partes que desejava preservar para suas práticas culinárias.

Dmitry confessou que a ideia de comer as vítimas veio de Natalia que sugeriu fazê-lo para que pudessem se livrar dos corpos mais facilmente. Com o tempo, o casal começou a desenvolver um gosto para a antropofagia e o que era uma conveniência se tornou um dos motivos para continuar matando. Dmitry revelou que certas partes podiam ser preparadas para que tivessem um sabor delicioso. Ele e Natalia, contudo, reservavam esses jantares apenas para circunstâncias especiais como a que eles comemoravam em virtude de sua promoção. O casal costumava guardar algumas partes de suas vítimas como "lembrança".

Mas a pior parte do interrogatório veio quando Dmitry confessou ter matado e esquartejado vítimas em Omutinski uma cidade rural onde morava antes de ir para Krasnodar. O criminoso tinha contato com um dono de açougue e na época trabalhava como vigia em uma fazenda de porcos. Ele contou aos investigadores que moeu os restos de algumas vítimas e vendeu como se fosse carne de porco para que fizessem tortas de carne. Dmitry contou que isso teria ocorrido entre 2008 e 2009. O casal tentou conseguir um contrato com a Academia de Aviação para venda de lanches e salgados, entre os quais uma torta de carne moída - um prato muito comum na Rússia. Felizmente, a proposta ainda estava sendo examinada.

Ele contou ainda que estava ciente da perda do celular e que sabia que poderia ser descoberto caso o conteúdo do telefone fosse examinado por quem o encontrasse. Dmitry não contou a Natalia que havia perdido o aparelho, ao invés disso, comprou um novo do mesmo modelo e fez de conta que nada havia acontecido. Ele disse temer a reação da esposa e por isso preferiu esconder esse deslize.

Enquanto o marido revelava todos os segredos do casal, Natalia se negava a prestar depoimento. Ela simulou um ataque e quando um médico foi chamado para tratá-la, tentou escapar mais uma vez. Natalia acabou sendo transferida para uma unidade psiquiátrica para avaliação, uma vez que alguns sugeriram que ela provavelmente sofria de alguma doença mental. A avaliação, no entanto, comprovou plena saúde mental e cognitiva, considerando que ela estava meramente tentando se passar por louca.

O inquérito da polícia russa está se concentrando no assassinato mais recente com o intuito de manter os dois presos. Posteriormente, co os dois já condenados, os promotores pretendem processar o casal pelos demais crimes dos quais eles são suspeitos. Não há um consenso ainda a respeito de quantas vítimas os dois produziram, mas acredita-se que o número pode ser superior a 30. Todos eram considerados desaparecidos.

Exames preliminares dos restos achados no apartamento estabeleceram a identidade de pelo menos sete indivíduos, outros só poderão ser descobertos mediante exame cuidadoso de DNA. Os arquivos da polícia da região possuem registros de muitos desaparecidos, o que provocou uma corrida de amigos e familiares para tentar identificar os restos encontrados.

Existia um boato em Krasnodar que um assassino em série vinha atacando na região, fazendo vítimas nos arredores da Academia militar. As vítimas em geral eram moradores de rua, drogados ou prostitutas e por isso, os crimes não chamavam tanta a atenção. De acordo com a imprensa, alguns residentes haviam até criado a teoria que se tratava de um "vagabundo canibal".

Ao que tudo indica a medonha carreira dos assassinos canibais de Krasnodar, como a dupla vem sendo chamada, chegou ao fim. Os dois estão sendo mantidos isolados em alas separadas de uma prisão após terem sofrido ameaças. Uma vez que Dmitry está cooperando com as autoridades, estas esperam montar um caso perfeito contra o casal que pode receber pena de morte ou prisão perpétua, conforme as leis da Rússia.

Comportamento da dupla antes dos crimes

Os dois foram descritos como pessoas tranquilas e funcionários elogiados na Academia Militar onde trabalhavam - Dmitry havia até recebido uma promoção recentemente. Os dois tinham família e foram bem criados por eles. Não lhes faltou carinho e pais dedicados que ficaram igualmente incrédulos e depois chocados com as descobertas. Natalia cursou faculdade de medicina e era descrita como uma mulher amigável que anos atrás lamentava ter perdido seu bebê após um aborto natural. Dmitry, na época, estava decorando o apartamento e pintando um quarto para o bebê. Eles pretendiam adotar uma criança, segundo contaram alguns de seus amigos e vizinhos. Os dois pareciam perfeitamente normais - se é que tal coisa existe.

Agradecimentos ao amigo Chico Izidro pelo envio desta matéria.

Fontes: G1 e Mundo Tentacular

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3 Comentários
Comentários
3 comentários:
  1. Penso que o marido tinha a intenção de ser descoberto. Ele "esquece" o celular recheado de fotos de seus atos nefastos, sem nenhuma senha de bloqueio e, principalmente, a maneira tranquila como ele reagiu ao cerco policial, me faz crer que ele tinha vontade de ser descoberto.

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    1. Também penso assim...a minha dúvida é o motivo...será que ele tava cansado dos crimes? Será que a pessoa que realmente gostava dessa loucura toda era a sua esposa? Ou quem sabe ele estava doido para aparecer os jornais como um monstro e gravar seu nome na história por seus crimes?

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  2. Ao meu ver ele esqueceu sim de propósito mas não por estar farto da situação... parece que ele queria que todo mundo soubesse o que ele é capaz de fazer, é como se os crimes dele fossem obras de arte que necessitavam ser mostradas ao mundo

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