Morre Charles Manson | Noite Sinistra
20/11/2017

Morre Charles Manson


Responsável ideológico por esfaqueamentos que chocam os Estados Unidos há quase 50 anos, mesmo sem ter sujado as mãos com uma única gota de sangue, Charles Manson morreu neste domingo (19), aos 83 anos. A notícia foi publicada pelos principais jornais americanos, incluindo o Washington Post e o New York Times.

O ex-guru hippie cumpria prisão perpétua desde 1971, condenado por convencer jovens seguidores a assassinarem, "com o máximo de crueldade", pelo menos sete pessoas, incluindo uma das estrelas de Hollywood mais comentadas da época. Ele teria morrido de causas naturais às 20h13 (no horário local).

Charles Manson foi um dos mais emblemáticos criminosos dos EUA. Reuniu uma quantidade significativa de jovens ao seu redor com ideias um tanto insanas. Seu carisma influenciaram algumas dessas pessoas a cometer uma série de crimes que apavorou os EUA. Na matéria abaixo os amigos e amigas poderão saber mais a respeito da morte de Manson e um pouco a respeito da vida dele, e que fim levaram os membros do seu grupo que estiveram envolvidos nos crimes idealizados por Manson. Quem quiser se aprofundar mais no assunto e nas teorias de Manson pode acessar uma matéria publicada aqui no blog Noite Sinistra, que é uma das matérias mais antigas e mais acessadas aqui do blog (clique AQUI para saber mais sobre a Família Manson).

A internação de Manson na semana passada já o havia levado ao topo dos assuntos mais comentados no Twitter e lançou um debate sobre um dos criminosos mais perturbados e famosos da história americana - especialmente entre jovens que não conheciam o vínculo de sua seita com a tensão racial nos EUA, reacesa recentemente por eventos como a marcha racista de Charlottesville, em agosto, ou os assassinatos por policiais que deram origem ao movimento Black Lives Matter.

Mesmo com registros oficiais associados a sete mortes (bem menos que outros assassinos em massa cujo nome ninguém se lembra, como Steven Paddock, que matou 58 pessoas a tiros em Las Vegas, no mês passado), Manson é tema de pelo menos 40 livros e há décadas atrai holofotes - e calafrios.

Da infância problemática no interior americano às orgias com roqueiros famosos e uma obsessão pelos Beatles, cujas letras seriam uma "premonição" de uma suposta guerra civil entre brancos e negros que ele tentou "antecipar", Manson é descrito por biógrafos como um homem que buscava fama e reconhecimento a qualquer custo - na maioria das vezes, sem sucesso.

Ele foi condenado à morte por câmara de gás em março de 1971, mas, no ano seguinte, após o Estado da Califórnia extinguir este tipo de pena, uma nova decisão o levou à prisão perpétua.

Sedução em troca de 'assassinatos terceirizados'

Segundo biógrafos, o maior "talento" de Manson seria sua habilidade para seduzir e convencer seguidores da seita autodenominada "Família" a cometerem assassinatos em seu lugar - sem hesitações ou arrependimentos.


Manson não estava presente fisicamente em nenhum dos sete assassinatos promovidos pela seita e confirmados pela Justiça americana.

A vítima mais conhecida foi a atriz Sharon Tate, esposa do então já premiado diretor Roman Polanski, que morreu aos 8 meses de gravidez, depois de ganhar um Globo de Ouro.

Seguindo ordens de Manson, membros da seita invadiram a casa da atriz e a mataram em posição fetal com 16 facadas. Outros quatro amigos e conhecidos que a visitavam também foram esfaqueados - um deles com 51 golpes.

"Destruam totalmente todas as pessoas dentro da casa, da forma mais horrível possível", teria ordenado o líder.

Uma de suas seguidoras, Susan Atkins, admitiu em tribunal que outros assassinatos macabros haviam sido previstos pelo guru, incluindo os de estrelas como Frank Sinatra e Elizabeth Taylor.

Susan Atkins
As mortes foram resultado de uma tese apocalíptica de Manson, que dizia acreditar que brancos e negros travariam uma disputa sem precedentes nos Estados Unidos.

Em suas pregações, ele dizia que o White Album (Álbum Branco), dos Beatles, - e em especial a música Helter Skelter - seria uma espécie de quebra-cabeças com revelações codificadas sobre a iminência do confronto racial pelo poder nos EUA.

O objetivo de Manson era "acelerar" esta guerra racial, por meio de assassinatos falsamente associados a afro-americanos.

Ele prometia proteção aos seguidores e dizia que se tornaria um messias ao fim da guerra.

Durante os assassinatos na casa de Tate, os seguidores da seita espalharam pistas falsas, numa tentativa de incriminar os Panteras Negras, icônico grupo que lutava contra o racismo e chamava atenção na época por todo país.

Em seu livro Helter Skelter, o promotor de justiça Vincent Bugliosi, responsável pelas investigações dos crimes, conta que policiais encontraram a palavra "PIG" ("porco") escrita com o sangue de uma das vítimas em uma porta da casa de Tate.


O termo era usado pelos Panteras Negras em referência a policiais envolvidos em assassinatos e prisões preventivas de afro-americanos.

Durante o julgamento, investigadores descobriram que Manson ordenou que cartões de crédito encontrados em carteiras de suas vítimas fossem deixadas em um bairro negro, na expectativa de que algum morador os usasse e fosse incriminado - o que não aconteceu.

Cena do crime que matou a atriz Sharon Tate; 'Destruam totalmente todas as pessoas dentro da casa, da forma mais horrível possível', teria ordenado Manson
Em uma das sessões, Manson, que tentou ser seu próprio advogado no processo, chegou a se atirar contra o juiz Charles Older, gritando que "alguém deveria cortar sua cabeça".

Beatles

Os Beatles comentaram as associações feitas pelo assassino. "Não tenho nada a ver com isso", disse John Lennon à revista Playboy, em 1980.

Segundo o Beatle, Manson seria "apenas uma versão extrema" de fãs que embarcaram em teorias de conspiração sobre a banda, como os que acreditavam que Paul McCartney havia morrido em 1966 e sido substituído por um sósia.

"Ou os que concluíram que eu escrevi sobre ácido em Lucy in the Sky with Diamondspor que as iniciais eram LSD", afirmou Lennon.

Paul McCartney também comentou o caso no livro The Beatles Anthology.

"Manson interpretou que Helter Skelter tinha algo a ver com os quatro cavaleiros do apocalipse", disse. "Foi assustador, você não escreve músicas para isso."

No mesmo livro, George Harrison disse que "foi perturbador ser associado a algo tão desprezível como Charles Manson". Ringo Starr, que conhecia Sharon Tate e Roman Polanski pessoalmente, classificou o episódio como "um momento difícil".


A 'Família Manson' e a banda Beach Boys

"Charlie disse que a morte era bonita porque as pessoas a temiam", escreveu em seu livro o promotor Bugliosi, que morreu há dois anos.

Ao narrar as investigações que levaram à condenação de Manson e seu séquito (no dia seguinte às cinco mortes na casa de Tate, eles mataram um casal em sua casa), Bugliosi mostra como o assassino teria manipulado a mística e as experiências com drogas da geração hippie e associados elementos como sangue e mortes ao velho lema "paz e amor".

"Suspeito firmemente que os 'poderes mágicos' (de Manson) eram nada mais que uma habilidade de despertar crenças nas pessoas certas, no local correto", diz o autor.

O ex-promotor classifica os membros da "Família", cujas estimativas variam entre 30 e 100 pessoas - principalmente mulheres -, como alvos selecionados cuidadosamente.

"Os que o acompanhavam não eram os típicos garoto ou garota da vizinhança. Quase todos traziam uma profunda hostilidade contra a sociedade antes de conhecer Manson."

Em imagens do julgamento que podem ser vistas no You Tube, seguidoras do assassino caminham pelo tribunal cantando músicas em latim e sorrindo.


Em um perfil sobre o assassino, o jornal britânico The Guardian classificou Manson como uma espécie de "camaleão", sempre disposto a se transformar para convencer pessoas com perfis distintos.

"Ele podia ser o típico roqueiro quando na presença de músicos e produtores musicais, uma espécie de guru semelhante a Cristo para seus seguidores ou o arquétipo de um branco racista quando junto a bandos de motoqueiros."

Entre os "seduzidos" estão membros da banda Beach Boys, que chegaram a viver por algumas semanas com Manson e seus seguidores na casa do baterista Dannis Wilson, um ano antes das mortes em série.

Em livro publicado no ano passado, Mike Love, vocalista da banda californiana, conta que Manson provocava encontros sexuais entre seguidoras e os colegas da banda, em meio a altas doses de LSD - às quais o assassino, segundo relatos de ex-membros da Família, era "bastante resistente".

Segundo promotores, Manson teria criado uma espécie de harém, no qual mantinha relações sexuais simultâneas com diversas mulheres que acreditavam em suas "previsões".


Casamento

Uma biografia publicada em 2013 se dedicou às origens de Manson e seu histórico de problemas familiares.

Autor de Manson, o biógrafo Jeff Guinn conta que o garoto de Ohio tinha 5 anos quando viu a mãe e o irmão serem presos por roubarem uma garrafa de ketchup em um posto de gasolina.

Manson disse no passado que a mãe, alcoólatra, chegou a "dá-lo" a uma garçonete em troca de cerveja, quando era criança. A transação teria sido desfeita por um parente dias depois.

Manson passou por uma série de reformatórios e prisões, onde teria convivido com criminosos como cafetões, que o teriam ensinado a coagir mulheres a realizar seus desejos.

Quando tinha 32 anos, ele já tinha passado quase metade da vida encarcerado.

Preso para sempre aos 36 anos em 1971, Manson voltou às manchetes em 2014, após receber permissão para se casar na prisão, aos 80 anos.

Elaine Burton, uma mulher de 26 anos que se apresenta como "Star" (estrela) e se mudou de Estado para viver próximo à prisão de Corcoran (Califórnia), que abriga Manson, declarou à imprensa que o amava e queria ficar com ele.


A licença para o casamento expirou em 2015 e a boda nunca ocorreu. Mais tarde, a imprensa americana noticiou que o objetivo de Star com o casamento seria ter a chance de divulgar imagens do cadáver de Manson, quando ele morresse, e vendê-las para tabloides.

O que aconteceu com os outros membros da 'família' Manson?

Apesar de ser a figura mais proeminente e visível do grupo, Manson não foi o autor material dos assassinatos. Na verdade, ele nem esteve presente quando ocorreram vários dos crimes.

Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Lesli Van Houten, durante os julgamentos pelos assassinatos de agosto de 1969
Os crimes foram cometidos por outros membros da "família", que foram recrutados por Manson durante os anos em que viveram em um rancho abandonado perto de Los Angeles: Patricia Krenwinkel, Leslie Van Houten, Susan Atkins, Linda Kasabian e Charles Watson, entre outros.

Susan Atkins

De acordo com os relatórios policiais, Atkins foi a razão por trás da queda de outros integrantes da família Manson.

Tinha 18 anos quando conheceu Manson e de imediato se uniu à seita. Era 1966.

Em outubro de 1969, dois meses depois dos espantosos crimes em Los Angeles - dos quais, por algum tempo, a polícia não tinha uma pista efetiva sobre quem eram os responsáveis - Atkins foi capturada junto aos membros da família Manson em um caso de roubo de carros.

Na prisão, Atkins confessou a uma companheira que havia apunhalado Tate, saboreado seu sangue e o usado para escrever a palavra "porco" em uma porta.


A partir dessa descrição, a polícia pode desarticular o clã Manson e levá-los a julgamento.

Em 1972, a sentença de morte de Atkins foi transformada em prisão perpétua. O mesmo aconteceu com os demais integrantes da família.

A passagem pela prisão exerceu uma mudança em Atkins: ela se converteu ao cristianismo, se transformou em líder espiritual e iniciou uma série de trabalhos de caridade.

Sua liberdade condicional foi negada 13 vezes. Morreu em 2009 na prisão de mulheres de Chowchilla, California, aos 61 anos.

Patricia Krenwinkel

Patricia Krenwinkel trabalhava como secretária quando conheceu Charles Manson. De acordo com o jornal The New York Times, depois de três dias, abandonou seu emprego e se uniu à seita.

Krewinkel foi um dos rostos visíveis durante o julgamento contra os demais integrantes da organização, especialmente porque se vestia com vestidos brilhosos e ornamentados, junto a outras duas mulheres do clã, com quem sempre chegava de mãos dadas.

De acordo com os testemunhos durante o julgamento, Krewinkel mostrou sua crueldade especialmente nos crimes do casamento de Leno y Rosemary LaBianca, ocorridos na noite seguinte ao massacre na residência Polanski-Tate.

Ali a ex-secretária escreveu, com sangue das vítimas, a frase "morte aos porcos" nas paredes da casa.

Foi sentenciada a prisão perpétua em 1972 e, assim como Atkins, passou por uma transformação na cadeia.

Segundo o jornal Los Angeles Times, os guardas da prisão de mulheres de Corona, California, onde Krenwinkel está presa, afirmam que ela é uma "prisioneira modelo que está envolvida em programas de reabilitação".


Tem 69 anos e teve a liberdade condicional negada 13 vezes.

Leslie Van Houten

Foi um dos membros da família Manson que não esteve no massacre na residência Tate-Polanski.

Mas foi levada pelo próprio Manson na residência do casamento LaBianca, na noite seguinte. De acordo com os testemunhos ouvidos durante o julgamento, Van Houten foi declarada culpada pelo crime de conspiração para matar.


Nos documentos se pode ler como Van Houten segurou a mulher do casal, Rosemary, para que outro membro da família a apunhalasse várias vezes. Por isso, foi condenada à prisão perpétua em 1972.

Assim como Krenwinkel, Van Houten está na prisão feminina de Corona.

Durante as audiências para solicitar liberdade condicional, disse que se arrepende de "ter feito parte desses crimes horrendos".


Charles "Tex" Watson

Os relatos são claros: Manson planejou os assassinatos. Watson os executou.

Depois de se unir à seita em 1966, se converteu no assistente de Manson. Esteve presente nos crimes tanto da casa de Tate como na casa dos LaBianca.

Depois dos assassinatos, fugiu para o Texas, onde foi capturado. Assim como seus companheiros de culto, Watson foi condenado à morte, mas sua sentença foi transformada em prisão perpétua em 1972.

Na prisão, não perdeu tempo: se converteu em ministro de uma igreja cristã, se casou, se separou e teve quatro filhos.

Desde 1973, dois anos depois de ser conduzido à prisão, nenhuma queixa discipinar foi reportada contra ele no presídio de Mule Creek.


Watson, que tem 71 anos, teve a liberdade condicional negada 17 vezes.

Linda Kasabian

Tinha 20 anos quando, junto a outros membros da família Manson, se aproximou da casa de Sharon Tate, na noite de 8 de agosto de 1969.

Foi designada a ficar no carro que transportou os assassinos, do lado de fora da casa, porque era a única que tinha carteira de motorista.

De acordo com seu testemunho, Kasabian tentou deter o massacre, quando se deu conta do que seus companheiros estavam fazendo.


A mulher foi uma peça chave durante o julgamento do clã Manson. Relatou os fatos como haviam ocorrido e por isso ganhou imunidade penal.

Tem 68 anos e vive no estado de New Hampshire, Estados Unidos.

Fonte: BBC

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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. Vá pro diabo que te carregue psicopata nojento. Que o satanás te receba no inferno com uma bela espetada do tridente dele nesse seu cú podre, seu verme safado

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